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Um passeio pela arquitetura de 1930

Década marcou o início da arquitetura moderna e o rompimento com estruturas

Juliana Guimarães, especial para o iG |

Dornicke
O Mercado Municipal de São Paulo foi construído em estilo neoclássico em 1933
Não foi só na política que a década de 1930 foi marcada por guerras e manifestações. Na arquitetura também acontecia uma revolução nos estilos, cores e formas, que culminaram em novos traços e descobertas. “Foi um período imensamente rico e profícuo para a formação de uma linguagem arquitetônica moderna e, ao mesmo tempo, nacional, com originalidade e personalidade. Seus benefícios podem ser vistos até hoje pelas ruas do País”, ressalta Maria Cristina Wolff de Carvalho, professora do curso de arquitetura da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Segundo Sylvia Fischer, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), as principais edificações desse período são um reflexo da luta pelo poder. “Algumas eram grandiosas e desenvolvidas com materiais nobres, como ouro, jade e marfim”, afirma. Nas construções comerciais havia muitas características do Art Decó, movimento marcado por linhas retas ou circulares, formas geométricas e design abstrato.

Outro processo que marcou a época foi a verticalização das cidades. São Paulo e Rio de Janeiro ganharam arranhas-céus desenvolvidos com estrutura de concreto armado ou aço, amplos panos de vidro e um repertório de elementos como pilotis, terraços e misturas de cores vibrantes com neutras. “Era geometria pura, os pavimentos lembravam cubos ou cilindros”, diz Maria Cristina.

Tuca Vieira
A Estação Júlio Prestes foi inaugurada em 1930 e hoje abriga a Sala São Paulo, sede da Osesp
A década também foi importante para a consolidação dos valores e princípios modernistas, que estavam em desenvolvimento há muito tempo - tendo como figura central o arquiteto francês Le Corbusier - em decorrência da industrialização e inovações tecnológicas resultantes da Revolução Industrial.

“O Movimento foi adotado por Getúlio Vargas logos após a Revolução de 1930 como arquitetura oficial do seu governo, pois o presidente queria veicular sua ideologia populista de progresso”, explica Sylvia. A primeira construção de destaque foi a sede da Associação Brasileira de Imprensa, projetada em 1935 por Marcelo e Milton Roberto, com 11 andares.

Nas casas era possível avistar influências neocoloniais e também as primeiras aparições da arquitetura contemporânea. “É nesse momento que começam a surgir os modernistas, como Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Rino Levi e Gregori Warchavchik”, completa a professora da UnB.

E é com essa mistura de movimentos, formas e ideologias que a arquitetura da década de 1930 entra para a história - e contribui muito para o que viria nas próximas décadas.

Pelo mundo

Mas não era apenas o Brasil que passava por momentos instáveis, o mundo inteiro enfrentava dias difíceis. Adolf Hitler conquistava o cargo de chanceler, na Alemanha. Nos Estados Unidos, Franklin Roosevelt dava início ao New Deal, plano de recuperação econômica pós Crise de 1929 e, principalmente, começava a se desenrolar os fatos que culminaram na Segunda Guerra Mundial. “Essa verdadeira confusão de sentimentos e brigas pelo poder podem ser vistas nas edificações da época”, explica Sylvia.

Lykantrop
Considerada um marco na arquitetura, a Casa da Cascata, de 1934, foi transformada em museu
O período de cerca de 20 anos entre as duas guerras mundiais foi de ruptura entre o ecletismo e a arquitetura moderna. Nomes como Le Corbusier e Frank Lloyd Wright deram suas contribuições e apresentaram ao mundo o charme das construções marcadas por linhas retas e minimalistas. “Os volumes eram prismáticos, havia legibilidade estrutural e paredes envidraçadas que permitiam uma leitura de como era a ocupação interior”, diz Maria Helena Flynn, professora do curso e Arquitetura e Urbanismo da Universidade Anhembi Morumbi.

No entanto, não era apenas de conceitos modernistas que sobrevivia a arquitetura de 1930. Havia uma grande resistência às novas ideias, principalmente na Europa. Basta contemplar os edifícios públicos projetados na época na França, Inglaterra e Itália para comprovar essa história. “O classicismo ainda se sobrepunha ao modernismo, principalmente em obras monumentais”, afirma Maria Cristina.

 

 

 

 


 

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