Hotéis luxuosos e cassinos eram diversão para elite brasileira que viajava para cuidar da saúde

Balneário do Caxambu, em Minas Gerais
AE
Balneário do Caxambu, em Minas Gerais
Apesar do cenário internacional turbulento, com guerras e a queda da bolsa de Nova York, as décadas de 20 e 30 foram boas para o turismo brasileiro. O desenvolvimento das cidades, o aumento da classe média alta no País e o incentivo do governo brasileiro à construção de grandes hotéis proporcionaram um aumento considerável da oferta turística. A dificuldade em viajar ao exterior também impulsionava as viagens pelo território nacional.

Nesta época, o principal motivo das pessoas viajarem pelo Brasil era para cuidados medicinais. Os viajantes se dirigiam às estações de cura, em estâncias ou balneários. “Eram poucas as viagens a lazer. O que existia era um turismo para cuidar da saúde. As pessoas buscavam a brisa do mar das praias, os banhos nas estâncias hidrominerais ou o ar das estâncias climáticas”, explica o turismólogo Dario Luiz Dias Paixão, autor do artigo A verdadeira Belle Époque do turismo brasileiro.

Surgiram então hotéis imponentes nestas estações de cura. Associados a eles, foram construídos cassinos, frequentados pela alta sociedade brasileira. Com tratamentos longos, que duravam 21 dias, os hotéis-cassinos ofereciam jogos, concertos e shows para entreter os clientes durante a estadia.

O glamour dos cassinos

Vista do centro de Poços de Caldas, estância hidromineral onde muitos iam buscar saúde nas águas
AE
Vista do centro de Poços de Caldas, estância hidromineral onde muitos iam buscar saúde nas águas
O primeiro cassino brasileiro passou a funcionar no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, construído em 1922. No entanto, o "boom" de luxuosas casas de jogos foi entre 1936 e 1946, ano em que foram proibidas no Brasil. Neste período, foram inaugurados alguns dos principais estabelecimentos do gênero no País.

São desta época os hotéis-cassinos Quitandinha (Petrópolis/RJ), o Parque Balneário e o Atlântico (Santos/SP), o Quisissana (Poços de Caldas/MG), o Grande Hotel (Araxá/MG) e o Águas de São Pedro (Águas de São Pedro/SP). “Os cassinos eram uma diversão para a elite que fazia tratamentos de saúde no Brasil. O jogo também dava base financeira para sustentar os luxuosos hotéis que foram construídos no período”, explica o turismólogo Paixão.

Além dos jogos de azar, os cassinos traziam orquestras e artistas de renome internacional promoviam grandes bailes.

Meios de transporte no Brasil

Aeroporto de Congonhas foi inaugurado em 1936
AE
Aeroporto de Congonhas foi inaugurado em 1936
Apesar do período de glamour dos anos de Getúlio Vargas, o Brasil apenas começava a construir uma infraestrutura para atender a demanda turística. Foram criadas as primeiras companhias aéreas nacionais: a Varig (1927), a Panair (1930) e a Vasp (1933). Em 1936, a abertura do tráfego aéreo dos aeroportos de Congonhas (São Paulo) e do Santos Dumont (Rio de Janeiro) permitiu uma ligação pioneira entre capitais.

O primeiro cruzeiro marítimo na costa brasileira foi realizado em 1932 pelo navio Almirante Jaceguai, do Lloyd Brasileiro. A viagem com duração de dois meses fazia o percurso entre Rio de Janeiro e Amazonas.

Os carros começavam a ser utilizados como veículos de passeio, ainda que acessíveis a uma pequena parcela da população.

O transporte ferroviário, contudo, era a principal forma de locomoção de passageiros e carga. As linhas começavam a ser expandidas para o interior dos Estados, principalmente, no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Com uma infraestrutura de transporte limitada, os hotéis, cassinos e estâncias atendiam em grande parte a uma demanda local.

Zeppelin: Da Alemanha ao Brasil

O ano de 1930 também ficou marcado pela vinda do primeiro dirigível, o LZ-127 Graf Zeppelin, ao País. Em sua primeira viagem à América Latina, o gigante inflável de 235 metros pousava no dia 22 de maio, no Recife. Vinha de uma viagem de três dias e meio, com saída de Friedrichshaven, na Alemanha. O voo de 11 mil km foi feito a uma velocidade média de 150 km/h.

Vista aérea do Cristo Redentor, no Morro do Corcovado, no Rio
AE
Vista aérea do Cristo Redentor, no Morro do Corcovado, no Rio
O “charuto prateado” foi recebido com festa e buzinaço pelos pernambucanos. Recife recebeu autoridades, visitantes e jornalistas do mundo inteiro para assistir à sua chegada. Três dias depois era a vez dos cariocas acompanharem a aproximação do Zepellin ao Rio de Janeiro.

A partir de 1936, o País passou a ser rota regular dos dirigíveis que saíam da Alemanha, ligando Frankfurt à Cidade Maravilhosa, com escala na capital pernambucana. Foram feitas nove viagens até 1938, quando encerraram as atividades da empresa. Um ano antes, a explosão do dirigível Hindenburg ainda no ar, nos Estados Unidos, provocara uma crise, resultando no fim da era dos dirigíveis.

Fontes:
PAIXÃO, Dario Luiz Dias . 1930 - 1945 A verdadeira Belle Époque do turismo brasileiro: o luxo e os espetáculos dos hotéis-cassinos imperam na era getulista. In: Luiz Gonzaga Godoi Trigo. (Org.). Análise Regional e Global do Turismo. São Paulo: ROCA, 2005, v. , p. -.
REJOWSKI, M. (Org) Turismo no percurso do tempo. São Paulo: Ed. Aleph, 2002.
TRIGO, L.G.G. Viagem na memória: guia histórico das viagens e do turismo no Brasil. São Paulo: Ed. Senac, 2000.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.