Jantar de gala nos anos 30 valeria um prato executivo hoje

Há 80 anos, passar o réveillon ao som de orquestra e cardápio refinado custava aproximadamente R$ 60

iG São Paulo |

Réveillon no Mappin, com apresentação de Jaca e sua orquestra, cardápio refinado e vasta distribuição de brindes por 50 mil réis por pessoa. Esta era a oferta de um anúncio de meia página do jornal O Estado de São Paulo, do dia 30 de dezembro de 1939. Para quem entrou nos anos 40 em um dos lugares mais badalados de São Paulo, as despesas da época equivaleriam a um prato executivo nos dias de hoje. Considerando a inflação acumulada no período – que beira os 12.000% - e as mudanças de moedas desde então, o valor aproximado do jantar por pessoa seria de R$ 60, preço aproximado de um prato executivo com sobremesa no restaurante D.0.M, um dos mais tradicionais de São Paulo.

Para não fazer feio no jantar de réveillon, o traje deveria ser especial. No próprio Mappin, não faltavam opções: ternos a 130 mil réis (cerca de R$ 155), camisas a partir de 28 mil réis (ou R$ 33,60) e gravatas francesas ou inglesas por 90 mil réis (R$ 108). Para andar em linha com a moda da época, o homem deveria estar devidamente barbeado. Para tanto, a lâmina de barbear custava 8 mil réis (R$ 9,60), em pacote com cinco unidades. A diversão em alto estilo, na virada do ano, estava garantida.

AE
Fachada do Teatro Municipal de São Paulo na década de 30
Na opção cultural, o Teatro Municipal tinha em cartaz, em 1935, a apresentação da coreógrafa Belle Didjah, com preços que variavam de 10 mil réis a poltrona (ou R$ 12) a 50 mil réis o camarote (ou R$ 60).

Já para quem sonhava em ser milionário, a loteria da época oferecia um prêmio de 5 mil contos de réis, ou R$ 6 milhões.

Uma casa da Alameda Campinas, região da Avenida Paulista, poderia ser comprada por 180 contos de réis, algo em torno de R$ 216 mil nos dias de hoje (também considerada a inflação acumulada no período e as inúmeras mudanças de moedas desde então). Hoje, o metro quadrado na região da Avenida Paulista pode chegar a mais de R$ 9,5 mil.

Na garagem era possível ter um Dodge Vletor duas portas por cerca de 5 contos de réis – aproximadamente de R$ 6 mil – ou caminhão Ford V8 por 7 contos de réis, ou R$ 8,4 mil. Já o Hudson Seis, grande lançamento do fim da década de 30, valia 29 contos de réis, ou R$ 34,8 mil.

Outro item luxuoso que pareceria bem mais acessível nos dias de hoje é uma lancha, com dois camarotes, banheiro, cozinha e rádio – uma inovação para época –, que era oferecida em 1939 por 35 contos de réis, ou R$ 42 mil, o preço de um carro médio vendido hoje em dia no Brasil.

As grandes fortunas de 80 anos atrás não chamariam tanta atenção hoje em dia. Um bom exemplo disso é o industrial norte-americano Daniel Guggenheim, apontado como o segundo homem mais rico das Américas em 1930. Sua fortuna, na época, estava avaliada em US$ 20,6 milhões. Hoje, o valor aproximado da dinheirama seria de US$ 262 milhões, o que não o deixaria nem na lista dos 100 homens mais ricos de 2010. Ao mesmo tempo, a fortuna de Bill Gates – que gira em torno de US$ 53 bilhões - equivaleria a mais de US$ 600 bilhões há 80 anos, em poder de compra. Valeria a pena voltar no tempo?

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