A figura feminina submissa e prendada é exaltada. Mas ela passa a estudar o elementar para cuidar da economia doméstica

A eletricidade chega às casas mais abastadas e as invenções tecnológicas facilitaram muito a vida da dona de casa, como o ferro elétrico e o fogão a gás. Durante os anos 30, a educação da mulher ainda é voltada para prover as necessidades do lar. A figura feminina pura, submissa, prendada e obediente é exaltada.

Mas ela passa a estudar o elementar, sobretudo porque precisa cuidar da economia doméstica, fazer o dinheiro do marido render e acompanhar os estudos dos filhos homens. No fim da década, os raros colégios para meninos e meninas da elite se multiplicam, mas o foco das meninas ainda é se formar para o casamento, muitas vezes arranjado pela família. Uma nascente indústria de lazer, formada sobretudo por rádio, cinema de música popular, começa a disseminar novos pensamentos e costumes no mundo.

Greta Garbo é o modelo de beleza da década de 30
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Greta Garbo é o modelo de beleza da década de 30
Tendências em moda e beleza

Saem as melindrosas e ascende uma mulher com corpo atlético e bronzeado. Mais esportivas, elas passam a vestir shorts e maiôs. O modelo de beleza é Greta Garbo, com cabelos compridos e sobrancelhas finas, desenhadas a lápis. No cinema, o filme “E o Vento Levou” anuncia a estrela Vivien Leigh, que aparece na tela com a pele lisa, branca e totalmente coberta por pancake – a criação do químico e visagista Max Factor tornaria os ídolos ainda mais perfeitos aos olhos do público.

A química para cabelos evolui e as mulheres aderem à permanente. No Brasil, os hits de beleza são o creme Rugol e sabonete Phebo. Na Europa, Helena Rubinstein  e Elizabeth Arden lançam suas linhas de cosméticos.

Helena Rubinstein lança linha de cosméticos
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Helena Rubinstein lança linha de cosméticos

O comprimento dos vestidos aumenta dos joelhos para as canelas, com a cintura marcada por espartilhos de aço, mais flexíveis que os de ossos, usados no século 19. O corte enviesado e novos tecidos, como o rayon, dão um caimento mais feminino e adulto às peças. No fim da década surgem o nylon e os sintéticos, como o lamê metalizado. Mas a seda pura ainda é o tecido perfeito para os vestidos glamourosos de noite, marcados por drapeados e fluidez.

Coco Chanel influencia a moda
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Coco Chanel influencia a moda
As estilistas Gabrielle Chanel, Madeleine Vionnet e Jeanne Lanvin influenciam fortemente a moda. Em 1935, Salvatore Ferragamo lança sua grife de sapatos. A italiana Elsa Schiaparelli marca época com criações inspiradas no surrealismo, repletas de estampas vivas e acessórios desenhados por artistas como Dali e Jean Cocteau. No fim da década e já perto da eclosão da Segunda Guerra Mundial, as roupas ganham inspiração militar.

Ícones da época e personalidades inspiradoras

O cinema cria grandes estrelas, como Vivien Leigh, Joan Crawford, Katharine Hepburn e Marlene Dietrich, mulheres sexy e de aparência forte. Ginger Rogers faz coreografias delicadas em musicais românticos. Nos grupos de intelectuais, despontam talentos femininos, como as ácidas Mae West, dramaturga e atriz de voz áspera e vanguardista dos costumes, e a escritora Doroty Parker, de humor cáustico e crítico. Na aviação, Amelia Earheart é a primeira mulher a bater recordes, entre eles a primeira travessia do Atlântico. Na Europa, Edith Piaf vira uma estrela da chanson française, enquanto Billie Holliday faz gravações de standards do jazz que entrariam para a história.

Em cena com Clark Gable, Vivien Leigh faz sucesso no cinema
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Em cena com Clark Gable, Vivien Leigh faz sucesso no cinema
No Brasil, a forma de entretenimento e comunicação mais popular é o rádio – em 1937, 60% dos lares de São Paulo já tinham um aparelho. Surgem o ídolo Carmem Miranda, que ganha fama mundial no cinema e começa a disseminar a imagem de país tropical do Brasil pelo mundo. Os primeiros expoentes da literatura brasileira feminina começam a publicar suas obras. Clarice Lispector cria uma obra mais introspectiva, enquanto Rachel de Queiroz é a primeira mulher a abordar de forma direta e incisiva questões sociais.

Desafios e conquistas da mulher de 1930

O direito ao voto feminino veio em 1932, com uma nova constituição eleitoral, depois do golpe que levou Getúlio Vargas ao poder. Ainda assim, poucas mulheres o exerceram. O voto feminino só ficaria popular a partir de 1945, com a redemocratização do País.

Pagu, a militante Patrícia Galvão, marcou presença na imprensa com textos feministas. A participação feminina na vida cívica e na atuação política aumenta, sobretudo nas frentes comunistas e no movimento integralista.

Com a industrialização do Brasil, as mulheres começam a entrar no mercado, em ocupações consideradas compatíveis com a mulher, como professora, enfermeira, datilógrafa, taquígrafa, secretária, telefonista e operária têxtil. Na mesma época, começam a entrar no mundo acadêmico como minoria absoluta, na área de ciências sociais, onde são maioria hoje.

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