Arquitetura brasileira nos anos 30

Edificações que marcaram época no Brasil na década de 30

Juliana Guimarães, especial para o iG São Paulo |

Casa Modernista

Divulgação
A Casa Modernista, em São Paulo, foi projetada por Gregori Warchavchik e é considerada a primeira construção modernista do Brasil
Foi projetada em São Paulo pelo arquiteto Gregori Warchavchik e é considerada a primeira construção modernista do Brasil. A edificação é marcada por linhas retas, sem qualquer ornamentação, e formada por volumes prismáticos brancos emoldurados por um jardim composto por espécies tropicais.

Em 1935, a casa passou por reforma para se readequar às necessidades da família. O arquiteto aproveitou para experimentar alterações na lógica da circulação e na composição dos volumes. O acesso principal passou a ser feito por uma das laterais. A cozinha foi ampliada e uma das varandas deixou de existir para dar lugar a uma sala de estar mais ampla, entre outras modificações.

Warchavchik e sua mulher, Mina Klabin, moraram no local até 1970. Eles decidiram vender a casa, que quase foi comprada por uma construtora e demolida para se transformar em um condomínio residencial. A população fez um protesto e impediu o projeto. Atualmente, a casa é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) e pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan). Foi restaurada e aberta recentemente a visitações.

Curiosidade: para conseguir aprovação na prefeitura, Warchavchik apresentou o projeto de uma fachada ornamentada. Mas, quando a obra ficou pronta e surgiram alguns questionamentos, ele alegou não ter recursos para terminá-la.


Edifício Gustavo Capanema (ou Palácio Gustavo Capanema)

AMB
O edifício Gustavo Capanema foi construído em 1936 no Rio de Janeiro
Foi projetado em 1936, no Rio de Janeiro, pelos arquitetos Lúcio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira. Os profissionais ainda contaram com a consultoria de Le Corbusier. “A obra exibe com clareza a nova linguagem despida de ornamentos”, comenta Maria Helena.

É considerado um marco da arquitetura moderna, pois possui amplos panos de vidro, detalhes feitos com concreto aparente e uma organização interna funcional (corredores largos, amplos e salas espaçosas). Durante muito tempo foi sede do Ministério da Educação e Cultura.

Os jardins encantam os visitantes logo na chegada e levam a assinatura do paisagista Roberto Burle Marx. Nos saguões há verdadeiros presentes para os apaixonados por arte: painéis feitos por Cândido Portinari.

O prédio soma 16 andares e foi construído com concreto, ferro, mármore e azulejos.

Curiosidade: no Palácio é possível contemplar pinturas de Alberto Guignardi e Pancetti, além de esculturas de Bruno Giorgi, Jacques Lipchltz e Celso Antônio Silveira de Menezes.


Estação Julio Prestes


Tuca Vieira
A Estação Júlio Prestes foi inaugurada em 1930 e hoje abriga a Sala São Paulo, sede da Osesp
É um dos cartões-postais mais visitados da capital paulista. A Julio Prestes seria a estação inicial da Estrada de Ferro Sorocabana, que transportava café em São Paulo. O projeto é de autoria dos arquitetos Cristiano Stockler das Neves e Samuel das Neves e totaliza 25 mil m².

Em 1930 foram inaugurados a ala das plataformas e o concourse (saguão principal), espaços marcados pelo estilo Luis XVI (ambientes com forros trabalhados, colunas imponentes e mobiliário de tom neutro). Com a revolução de 1932, a estação fechou as portas temporariamente e, dois anos depois, foi reinaugurada.

A fachada é composta por arcos que emolduram as amplas janelas do pavimento inferior. Dentro do prédio, o destaque fica por conta do pé-direito alto, que confere a sensação de amplitude e luxo.

Curiosidade: em 1990 surgiu a proposta de restaurar parte da estação e transformá-la na sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Foi batizada como Sala São Paulo e atualmente é considerada o melhor espaço para concertos da América Latina.


Edifício Martinelli

Flickr/ Monica Kaneko
A construção do edifício Martinelli foi um marco na arquitetura paulistana
O prédio é um marco na história da arquitetura e da política paulistana, pois simboliza o momento de transição para a verticalização. O imigrante italiano Giuseppe Martinelli tinha o sonho de erguer o primeiro arranha-céu da capital paulista – e assim o fez.

Convocou o arquiteto húngaro William Fillinger, que planejou um prédio de 12 andares. Mas, com o decorrer da obra, Martinelli decidiu acrescentar pavimentos. O resultado é um edifício de 30 andares feito com alvenaria e concreto.

A construção é uma das representantes paulistanas do Art Decó e é composta por formas bem definidas e amplas aberturas. Foi o primeiro arranha-céu da América Latina e atraía os olhares de quem passava pelo Centro de São Paulo. “A chegada dos elevadores e o uso do aço foram os elementos que permitiam a construção de prédios mais altos”, comenta Sylvia.

Martinelli fez questão de escolher acabamentos luxuosos para o projeto. As portas são de pinho de riga, as escadas receberam mármore carrara, papéis belgas colorem as paredes, a louça sanitária é inglesa e os elevadores, suíços. Há pinturas a óleo em algumas salas e cerca de 40 km de molduras de gesso em arabescos.

Curiosidade: como foi o primeiro arranha-céu da capital paulista, diversas pessoas tinham medo de passar pelo local – achavam que a construção poderia desabar. Para mostrar que não haveria problemas, Martinelli mudou com sua família para o último andar do edifício.


Edifício Altino Arantes

Abarros
O Edifício Altino Arantes, que começou a ser construído em 1939, tem 35 andares
Começou a ser construído em 1939 e carrega diversas características que marcaram a década. A principal é a altura, já que a capital paulista passava por um processo de verticalização. São 161,22 m estruturados em concreto armado.

O projeto é assinado pelo engenheiro e arquiteto Plinio Botelho do Amaral, mas foi adaptado pela construtora Camargo & Mesquita, pois autoridades da época desejavam que a construção fosse parecida com o Empire State Building, de Nova York.

O prédio foi erguido para abrigar o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e ganhou um apelido carinhoso: Banespão.

São 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1.119 janelas. O traçado é inconfundível, as esquadrias foram milimetricamente posicionadas e os níveis são demarcados por formas geométricas que se sobressaem na fachada.

Curiosidade: do mirante que fica no topo do prédio é possível contemplar todos os detalhes da cidade. Em dias sem nuvens, a visibilidade chega a um raio de 40 km. O edifício está aberto a visitações de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h.

Mercado Municipal de São Paulo

Dornicke
O Mercado Municipal de São Paulo, de 1933, foi construído em estilo neoclássico
Começou a ganhar vida em 1928 e foi inaugurado em 1933. O Mercadão, como é conhecido entre os paulistanos, possui 12.600 m² e representa o estilo neoclássico, composto por materiais nobres, sistemas construtivos simples, formas regulares e simétricas e pórticos imponentes.

A edificação possui acabamento luxuoso (mármore e outras pedras nobres) e belos vitrais, feitos por Conrado Sorgenicht Filho, responsáveis por encantar os visitantes até hoje. O projeto é de autoria do escritório Ramos de Azevedo e foi implantado ao lado do rio Tamanduateí, o que até então facilitava a chegada de embarcações repletas de mercadorias.

O interior do mercado é um verdadeiro presente para os olhos, pois há arcos trabalhados de concreto, pé-direito alto e grandes claraboias que permitem a entrada de luz natural.

Curiosidade: atualmente, há 1.600 funcionários que trabalham nos 291 boxes do Mercadão. Eles são os responsáveis por atender cerca de 14 mil visitantes que passeiam todos os dias pelos corredores do local.


Edifício Esther

O prédio representa as ideias do Movimento Modernista que surgia entre os arquitetos da geração – Oscar Niemeyer era um deles. “O Esther é uma referência extraordinária para a arquitetura brasileira. É um excelente representante da década”, diz a professora Maria Helena.

A construção foi entregue em 1936 e fica na Praça da República, região central da capital paulista. O projeto foi desenvolvido por Vital Brazil e Adhemar Marinho. Para elaborá-lo, os profissionais buscaram inspiração no trabalho de Le Corbusier e apostaram em pilotis, planta livre, janelas com portas de correr e terraços-jardim.

O edifício possui uma estrutura aberta com a fachada marcada por amplos panos de vidro com diferentes tipos e formatos. Dois materiais foram usados para revesti-la: vitrolite negro brilhante e marmorite creme fosco.

Curiosidade: o edifício Esther foi reconhecido como marco da arquitetura nacional quando passou a abrigar, em 1943, a sede paulista do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Sediou também o escritório do arquiteto Rino Levi, a residência de Di Cavalcanti e também a de Vital Brazil.

Palácio da Justiça de Pernambuco

Delma Paz
O Palácio de Justiça de Pernambuco, de 1930, foi projetado pelo arquiteto italiano Giacomo Palumbo
Localizado em Recife (PE) foi inaugurado em 1930. Sofreu influências do estilo renascentista e possui uma cúpula de 45 metros com vitrais desenvolvidos por Heinrich Moser e pinturas de Murillo La Greca.
A obra leva a assinatura do arquiteto italiano Giacomo Palumbo. O segundo pavimento do prédio é marcado pelo uso do mármore para revestir pisos e paredes, o forro é decorado e conta com lustres de cristais. O mobiliário foi idealizado pelo arquiteto M. Noiziéres. Na fachada há esculturas alegóricas à justiça.

Curiosidades: os vitrais logo na entrada representam a primeira assembleia legislativa realizada no local. A obra é de autoria do artista alemão Heinrich Moser.


Prédio da Associação Brasileira de Imprensa


Divulgação
Prédio da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro
A edificação fica no Rio de Janeiro e é um referencial quando se fala em arquitetura moderna. O projeto foi desenvolvido pelos irmãos Marcelo e Milton Roberto (há quem diga que o outro irmão, Maurício, também participou), que tiveram alguns princípios de Le Corbusier como base. Um deles é o uso do brises na fachada, um quebra-sol de concreto que ajuda a controlar a entrada de luz natural nos ambientes.

O hall de entrada é amplo, lembra uma praça, e recebeu materiais nobres, como o granito que reveste o piso. O teto dos escritórios foi desenvolvido com fibra prensada, material que garante conforto acústico.

Curiosidade: a divisão interna do prédio da ABI foi baseada nos princípios arquitetônicos criados por Le Corbusier – estrutura independente, terraço-jardim, fachada e planos livres.

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