Balanço é divulgado no mesmo dia em que porta-voz de Kofi Annan anuncia que governo sírio aceitou plano de paz e Assad visita Homs

A violência na Síria deixou mais de 9 mil mortos desde que teve início há cerca de um ano, segundo as Nações Unidas. De acordo com o enviado da ONU ao Oriente Médio Robert Serry, “a violência não diminuiu” desde os primeiros levantes contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

Kofi Annan: Governo da Síria aceita plano de paz

Ao Conselho de Segraunça da ONU, Serry disse que estimativas "críveis" indicam mais de 9 mil vítimas fatais. "É urgente deter os combates e evitar uma escalada de violência no conflito", acrescentou.

Paralelamente ao balanço da ONU, a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos anunciou que o número de mortos chega a 9.734, sendo 7.056 civis e 2.678 soldados das tropas do regime.

Fotografia da agência oficial Sana mostra Assad em visita ao bairro de Baba Amr, em Homs
EFE
Fotografia da agência oficial Sana mostra Assad em visita ao bairro de Baba Amr, em Homs
Os novos números são divulgados depois que o enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, ter anunciado que Assad havia aceitado o plano de paz de seis pontos, que busca uma saída para a violência no país.

“O governo sírio escreveu ao enviado para aceitar seu plano de seis pontos, aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU", afirmou o porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi, em comunicado. "Annan escreveu ao presidente Assad para pedir ao governo sírio a aplicação imediata de seus compromissos.”

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O plano de seis pontos negociado por Annan inclui acesso livre para assistência humanitária, libertação de prisioneiros e o início de um diálogo para pôr fim à crise.

Um integrante do Conselho Nacional Sírio, órgão da oposição, disse esperar que a notícia da aceitação da proposta represente um passo em direção à paz. Outros opositores, porém, se mostraram mais céticos e disseram que o regime de Assad apenas tenta ganhar tempo.

A proposta prevê um cessar-fogo por parte das forças de segurança sírias, mas nesta terça-feira violentos confrontos foram registrados em várias áreas do país, principalmente na fronteira com o Líbano.

VIsita a Homs

Também nesta terça-feira,  Assad fez uma visita a Baba Amr , bairro da cidade de Homs que chegou a ser controlado pela oposição e foi alvo de uma brutal operação militar.

A TV estatal mostrou Assad relaxado enquanto se comprometia a deixar Baba Amr “melhor do que era antes”. Em sua chegada, ele foi recebido pelos moradores com dizeres como: “Nós estamos com você até a morte!”.

A cidade é uma das mais atingidas pelo conflito e há quatro semanas vem sendo alvo de intensos bombardeios, que deixaram ao menos 700 mortos. Considerado reduto opositor, Baba Amr foi deixada pelos opositores em uma manobra classificada como “tática” e tomada pelas forças de Assad em 1º de março.

Rebelde sírio monta guarda em frente a prédio danificado em bairro de Homs (25/03)
AP
Rebelde sírio monta guarda em frente a prédio danificado em bairro de Homs (25/03)

Segundo moradores, os confrontos entre as forças de segurança e a oposição nesta terça-feira ganharam força na região próxima à fronteira com o Líbano. Testemunhas afirmaram que tropas sírias destruíram casas e dispararam granadas, chegando a passar para o território libanês.

Duas autoridades libanesas ouvidas pela Associated Press negaram que os soldados sírios tenham cruzado a fronteira, mas afirmam que tiros foram ouvidos na região.

Nesta terça-feira, a Turkish Airlines anunciou que suspenderá voos para a Síria a partir de domingo, numa medida que segue a decisão do governo turco de fechar sua embaixada em Damasco e de pedir aos seus cidadãos que deixem o país. Os voos para Damasco e Aleppo serão suspensos, afirmou a assessoria de imprensa da companhia aérea.

*Com AP e AFP

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