Violência na Líbia deixou 300 mortos, diz governo

Segundo primeiros dados oficiais, 58 militares morreram em confrontos entre manifestantes opositores e forças de segurança líbias

iG São Paulo |

Os atos de violência na Líbia deixaram 300 mortos, incluindo 58 militares, segundo os primeiros dados oficiais apresentados pelo regime de Muamar Kadafi desde o início dos protestos, há uma semana.

Reuters
Em Tobruk, opositores seguram placa que diz: A Líbia será livre e Kadafi estará fora
Cerca de metade das mortes ocorreram na segunda maior cidade do país, Benghazi, situada 1 mil km a leste de Trípoli e foco da insurreição.

Horas antes do anúncio oficial, Kadafi jurou em discurso transmitido pela televisão restabelecer a ordem, ameaçando massacrar a oposição.

A repressão contra as manifestações opositoras levou à renúncia de diversos diplomatas líbios e do ministro do Interior Abdel Fattah Younes al Abidi , que anunciou apoio à "Revolução 17 de fevereiro", segundo a Al-Jazeera. O canal exibiu imagens de um vídeo amador que mostrou Abidi em seu gabinete lendo um comunicado, que também exortou o Exército líbio a se juntar ao povo e às suas "demandas legítimas".

A renúncia aconteceu em meio ao sexto dia de confrontos entre manifestantes e forças de segurança durante protestos pela renúncia de Kadafi, há 42 anos no poder.

Discurso

No segundo pronunciamento em menos de 24 horas, Kadafi rejeitou nesta terça-feira deixar o país, prometendo combater os manifestantes que reivindicam sua renúncia e morrer como um "mártir". Gritando e falando com o punho fechado em um discurso de desafio na TV estatal, que pareceu ter sido gravado previamente, kadafi também conclamou seus partidários a expulsar das ruas os manifestantes que exigem sua renúncia.

Gritando, Kadafi se declarou "um guerreiro", proclamando: "A Líbia quer a glória, quer estar no cume do mundo. Sou um lutador, e morrerei como um mártir no final." "Ainda não ordenei o uso da força, não ordenei o disparo de uma única bala... quando o fizer, tudo queimará."

Kadafi ameaçou os opositores com uma resposta similar à usada em Tiananmen (a repressão na Praça Celestial, na China, em 1889) e de Fallujah (no Iraque), onde as tropas americanas teriam usado armas incendiárias de fósforo branco.

Ele conclamou seus partidários a sair às ruas para atacar os opositores. "Vocês homens e mulheres que amam Kadafi... saiam de suas casas e lotem as ruas", disse. "Saiam de suas casas e os ataquem em suas toques. A partir de amanhã saiam e os combatam."

"De hoje à noite para amanhã, todos os homens jovens deveriam formar comitês locais para a segurança popular", disse, pedindo que usem braçadeiras verdes para se identificar. "A população líbia e a revolução popular controlarão a Líbia."

O discurso de Kadafi, que apareceu envolto em um robe e turbante marrons, foi transmitido em um telão para centenas de partidários na Praça Verde, no centro de Trípoli. O local do pronunciamento é um pódium estabelecido na entrada de um prédio bombardeado que parece ser sua residência em Trípoli, que foi atacada por bombardeios dos EUA e deixada danificada como um monumento de desafio.

Em alguns momentos durante o discurso, a câmera focalizava um monumento dourado em frente do prédio, mostrando um punho destruindo um jato com uma bandeira americana nele.

Segundo Kadafi, covardes e traidores tentam retratar a Líbia em um caos, afirmando que os inimigos do país tentam prejudicar a imagem da nação. Kadafi afirmou que, como um líder revolucionário do país, tem de se sacrificar pela Líbia.

O pronunciamento foi feito enquanto aumentam os sinais de que o líder está perdendo apoio no país .

*Com AFP

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