Violência faz mais vítimas na Praça Tahrir, no Egito

Quatro manifestantes morreram baleados em confrontos entre adversários e partidários do presidente Hosni Mubarak

AFP |

Quatro manifestantes morreram baleados na manhã desta quinta-feira na Praça Tahrir (Praça da Libertação) do Cairo, onde uma batalha campal entre adversários e partidários do presidente Hosni Mubarak já havia deixado pelo menos três mortos e centenas de feridos na quarta-feira.

Quatro manifestantes morreram baleados na manhã desta quinta-feira na Praça Tahrir (Praça da Libertação) do Cairo, onde uma batalha campal entre adversários e partidários do presidente Hosni Mubarak já havia deixado pelo menos três mortos e centenas de feridos na quarta-feira.

"Quatro pessoas morreram, uma delas atingida por uma bala na cabeça", declarou à AFP o médico Mohamed Ismail em um hospital de campanha instalado em uma área próxima da Praça Tahrir. Tiros esporádicos começaram a ser ouvidos às 4h e prosseguiam com o passar das horas.

Os tiros, procedentes da Ponte de Outubro, onde permanecem posicionados os partidários de Mubarak, também deixaram vários feridos. Os tanques do Exército que cercam a praça executavam movimentos, mas não estava claro se deixariam o local. A Praça Tahrir é o epicentro da revolta popular, que há 10 dias exige a queda de Mubarak.Milhares de partidários do presidente reagiram na quarta-feira aos protestos com uma invasão da praça.

Em poucos minutos os dois lados iniciaram uma batalha, com pedras, bastões e chicotes.A Aliança de Juristas Egípcios afirmou em um comunicado que os grupos pró-governo abriram fogo contra os manifestantes. Antes da explosão de violência de quarta-feira, a ONU considerava a possibilidade de 300 mortes desde o início dos protestos.

AP
Multidão se concentra nas ruas do Cairo na manhã desta quinta-feira

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado pediu na quarta-feira que os cidadãos americanos deixem "imediatamente" o Egito. A secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou em uma conversa por telefone com o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, que a violência de quarta-feira era "um fato escandaloso depois de muitos dias de manifestações pacíficas", informou o Departamento de Estado. Hillary também expressou a "esperança de que tanto o governo como a oposição comecem imediatamente negociações sérias sobre a transição do Egito para um governo mais aberto, pluralista e democrático".

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, também pediu uma atuação rápida das autoridades egípcias para uma "transição política".Mas o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Egito, Hosam Zaki, afirmou que estes pedidos apenas "inflamarão a situação interna do Egito". Mubarak, 82 anos, no poder desde 1981, prometeu na terça-feira que não disputaria um novo mandato, mas garantiu que ficará no poder até as eleições de setembro.

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