Violência continua na Síria antes de chegada de observadores

Confrontos na terceira maior cidade do país, Homs, deixam ao menos 20 mortos e dezenas de feridos, segundo ativistas

iG São Paulo |

AP
Imagem distribuída por agência síria mostra carro danificado em ataque em Damasco em 23/12
Forças sírias enfrentaram opositores do presidente Bashar al-Assad na cidade de Homs nesta segunda-feira deixando 20 mortos e dezenas de feridos, segundo residentes, no mesmo dia em que está prevista a chegada de uma visita de monitores da Liga Árabe para verificar se o governo está pondo fim à violenta repressão da revolta de nove meses do país.

No dia da chegada dos observadores, não havia nenhum sinal de que Assad implementava um plano acertado com a Liga para deter a repressão militar dos protestos e iniciar conversas com os adversários. Uma primeira equipe de logística da Liga Árabe desembarcou na quinta-feira em Damasco para preparar a chegada dos observadores da organização.

Com uma insurgência armada cada vez mais ofuscando os protestos civis, muitos temem que a Síria esteja à beira de uma guerra sectária da maioria sunita contra a minoria alauíta, de Assad - uma ramificação do islamismo xiita -, especialmente após um duplo ataque suicida em Damasco na quinta-feira que deixou 44 mortos.

"O (distrito de) Amr Baba (de Homs) está sendo exposto ao ataque feroz de metralhadoras pesadas, veículos blindados e morteiros", disse em comunicado o grupo opositor Observatório Sírio para Direitos Humanos, sediado no Reino Unido.

Partes de Homs são defendidas pelo grupo Exército da Síria Livre, formado por desertores das Forças Armadas, que dizem que tentam estabelecer áreas de acesso proibido para proteger os civis.

O Observatório documentou os nomes dos mortos nos confrontos desta segunda-feira, que começaram com ataques e prisões realizadas pelas forças pró-Assad, o que também teriam ocorrido em Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, que havia sido poupada da revolta até recentemente.

Os primeiros 50 dos 150 monitores da Liga Árabe devem chegar à Síria nesta segunda-feira e alguns vão para Homs na terça, disse à Reuters uma fonte na sede da organização, no Cairo. O trabalho da equipe será avaliar se Assad retirará tropas e tanques da terceira maior cidade da Síria, como prometido.

A televisão estatal síria tem regularmente mostrado algumas áreas da cidade que aparentam tranquilidade. Mas um vídeo de ativistas publicado na internet mostra outras partes parecendo uma zona de guerra, com ruas vazias, corpos espalhados e fachadas de casas destruídas.

A Síria tem impedido o acesso à maioria dos jornalistas estrangeiros desde o início da revolta, tornando difícil verificar relatos do que acontece no país. A ONU diz que ao menos mais de 5 mil sírios foram mortos no levante, inspirado por outras revoltas árabes que derrubaram quatro ditadores neste ano.

Os protestos foram iniciados em março - e cerca de um terço das mortes ocorreu dentro e ao redor Homs. Assad diz que seu governo enfrenta uma insurgência de gangues de terroristas.

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