Violência aumenta na Síria enquanto ONU se prepara para reunião

Segundo ativistas, ações do Exército deixaram 65 mortos na quinta-feira; Conselho de Segurança debaterá resolução contra Assad

iG São Paulo |

O Exército da Síria lançou novas operações nas cidades de Homs e Hama, informaram ativistas nesta sexta-feira, enquanto o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se prepara para discutir uma possível resolução contra o regime do presidente Bashar Al-Assad.

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AP
Imagem divulgada pelo Comitês de Coordenação Local, grupo opositor da Síria, mostra enterro de homem que teria sido morto pelo governo em Idlib
O chefe da missão da Liga Árabe na Síria, o general sudanês Mohammed Ahmed al-Dabi, confirmou que a violência aumentou nos últimos quatro dias. Segundo ativistas, ações militares deixaram ao menos 30 mortos em Hama nesta sexta-feira. Na véspera, 65 vítimas foram registradas em várias partes do país, incluindo Homs, Idlib e Saqba, um subúrbio da capital, Damasco.

Nesta sexta-feira, milhares participaram do funeral de um manifestante antigoverno morto em Saqba. Durante o enterro, manifestantes gritavam: "É melhor morrer do que ser humilhado."

Rami Abdul-Rahman, chefe do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, disse que mulheres e crianças estão entre as vítimas do que chamou de “massacre terrível” que aconteceu na quinta-feira. Ativistas em Douma, Harasta e Irbin também relataram forte presença das forças de segurança nas ruas.

A reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria acontecerá nesta sexta-feira às 18h (horário de Brasília), a portas fechadas. Na semana que vem o Conselho pode votar uma resolução contra o regime de Assad que diplomatas do Reino Unido e da França estão elaborando em consultas com Catar, Marrocos, Estados Unidos, Alemanha e Portugal, disseram os enviados.

De acordo com a agência Reuters, a delegação do Marrocos manteve conversas com diplomatas russos e chineses para discutir a resolução. Em outubro, China e Rússia vetaram uma resolução do Conselho de Segurança que propunha “medidas dirigidas” contra a Síria.

A resolução que está sendo elaborada nesta sexta-feira manifesta o apoio do Conselho de Segurança ao pedido da Liga Árabe pela renúncia de Assad e a transferência do poder ao vice-presidente. O governo sírio já rejeitou o plano , caracterizando-o como uma "flagrante interferência" nos assuntos internos do país.

A Rússia disse que iria considerar “propostas construtivas” para acabar com a violência, mas que se opõe tanto a sanções contra a uma intervenção militar contra a Síria.

Vários enviados ocidentais disseram à Reuters que a Rússia pode achar difícil vetar uma resolução que pretende simplesmente oferecer apoio à Liga Árabe.

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Na quarta-feira, o governo da Síria concordou com a extensão de um mês da missão de monitoramento da Liga Árabe, que está no país para verificar a implementação de um plano para acabar com a violência, abrir o diálogo com a oposição e tirar os tanques das ruas. Porém, os países do Conselho de Cooperação do Golfo retiraram seus observadores da missão nessa semana, citando a continuidade do derramamento de sangue e a falta de comprometimento do governo com a proposta da Liga Árabe.

No domingo, a Liga pediu que o presidente sírio renunciasse e entregasse o poder ao seu vice. Em seu plano, o grupo formado por 22 países árabes quer que a Síria forme um governo de unidade nacional com a oposição dentro de dois meses.

A Síria afirma que tem derrotado "terroristas e gangues armadas" e garante que ao menos 2 mil membros das forças de segurança foram assassinados. A ONU diz que cerca de 5 mil morreram desde o início da repressão, em março do ano passado.

Com AP, BBC e AFP

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