Vice egípcio dialoga com opositores sobre governo de transição

Conversas ocorreram paralelamente a renúncias no partido de Mubarak; manifestantes prometem protestar até a saída do líder

iG São Paulo |

Líderes da oposição e intelectuais contrários ao governo do presidente egípcio , Hosni Mubarak, tiveram uma reunião neste sábado com o vice-presidente Omar Suleiman para debater meios de dar fim aos protestos que já duram 12 dias, paralelamente a renúncias no partido do próprio presidente.

Frank Wisner, enviado especial dos Estados Unidos, disse que o presidente egípcio deve permanecer no poder para supervisionar uma transição para a democracia. "Necessitamos chegar a um consenso nacional em torno das condições prévias para dar um próximo passo à frente. O presidente deve permanecer em seu cargo para liderar essas mudanças", disse. Os comentários parecem contradizer as declarações anteriores dos EUA para começar uma transição imediata.

O governista Partido Nacional Democrático (NDP) do Egito perdeu duas figuras-chaves, sendo um deles o filho do próprio Mubarak, Gamal. Além de Gamal Mubarak, que era diretor do comitê de políticas do partido, Safwat al-Sherif deixou a secretaria-geral da legenda e será substituído por Hossam Badrawi. Relatos não confirmados de uma TV privada dizem que Mubarak também teria renunciado ao cargo de diretor do partido.

Suleiman e opositores discutiram neste sábado, de acordo com a rede de TV CNN, alguns pontos como o Artigo 139 da Constituição egípcia, que permite ao vice-presidente assumir o controle do Executivo caso o presidente não seja mais capaz.

Ao menos um grupo opositor, o partido esquerdista Tagammu, pediu ao governo que recorra ao artigo e emposse Suleiman como chefe de governo. O grupo de opositores elitista, formado por intelectuais, artistas, diplomatas e empresários, mostrou ainda desejo de participar das negociações sobre o governo de transição. Eles prometeram continuar com protestos na praça Tahrir todas as quintas e sextas-feiras até que Mubarak "renuncie e faça verdadeiras as demandas do povo". O atual presidente, segundo o comitê opositor, pode continuar como um líder simbólico, mas deve delegar a responsabilidade do período de transição a Suleiman.

Aliado

Nos EUA, a administração Obama ensdossou uma transição apoiada por Suleiman. Durante uma conferência, a secretária de Estado Hillary Clinton disse que é importante apoiar o vice egípcio para dar fim aos protestos e choques, e cumprir o acordado com grupos oposicionistas.

Os protestos contra Mubarak entraram no 12º dia, neste sábado , com milhares de manifestantes que passaram a noite acampados na praça Tahrir, no centro do Cairo. Manifestantes da oposição ficaram em fileiras para bloquear a entrada de tanques do Exército egípcio na praça, no primeiro sinal de tensão entre militares egípcios e manifestantes, desde que os protestos tiveram início. Na madrugada de sexta-feira para sábado, no entanto, tiros foram ouvidos na praça e soldados atiraram para o alto para dispersar ativistas opositores, que acusavam militantes pró-Mubarak de ter dado os disparos iniciais.

A igreja Mar Guirguis, no Sinai egípcio, fronteira com a Faixa de Gaza, ficou em chamas depois de uma explosão, cuja origem ainda é desconhecida. Uma testemunha afirmou ter visto homens armados em uma motocicleta em frente ao lugar de culto.

Também no Sinai, um dos principais gasodutos da cidade de Arish explodiu . Segundo a emissora egípcia, alguns "sabotadores" explodiram o principal gasoduto que abastece Israel e Jordânia. A paralisação do abastecimento de gás exportado do Egito custará à Jordânia perdas de US$ 3,5 milhões por dia, declarou um dirigente jordaniano.

Além do diálogo com a oposição, o vice-presidente Omar Suleiman e outros líderes militares discutiram passos para limitar o poder de decisão e a autoridade de Mubarak , assim como sua possível remoção do palácio presidencial no Cairo. As conversas ocorreram enquanto o próprio Mubarak debatia com os principais ministros de seu governo como reativar a economia, castigada pelos 12 dias de protestos.

A crise política gerou uma paralisia econômica no país, fechando bancos e a bolsa de valores do Cairo, os turistas deixaram os resorts e os preços de produtos como cigarros e pão vêm subindo vertiginosamente. Em uma tentativa de normalizar a situação, o primeiro-ministro Ahmad Shafiq pediu que os egípcios voltem ao trabalho e anunciou a reabertura dos bancos para domingo, o primeiro dia útil da semana no país. A bolsa de valores, no entanto, não reabrirá no domingo ou na segunda-feira.

*Com AFP e Reuters

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