Vice do Iêmen anuncia novo governo de reconciliação nacional

Gabinete liderado por Mohammed Basindwade dividiu os principais postos entre os partidários de Saleh e os membros da oposição

iG São Paulo |

O vice-presidente do Iêmen anunciou nesta quarta-feira a formação de um governo de unidade nacional como parte do acordo para a transferência de poder assinada pelo presidente Ali Abdullah Saleh no mês passado.

Leia também: Iêmen nomeia líder da oposição como primeiro-ministro

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Manifestante ienemita faz dança tradicional durante protesto que exige o julgamento de Saleh em Sanaa
Segundo a agência oficial Saba, o vice-presidente Abed Rabbo Mansour Hadi emitiu um decreto aprovando a formação de um novo gavinete formado por 35 membros e liderado pelo veterano político independente Mohammed Basindwa . Os postos do governo estão igualmente divididos entre os partidários de Saleh e a oposição.

Basindwa afirmou à Associated Press que seu governo enfrenta desafios graves, mas disse que "iremos trabalhar com todo nosso potencial para superar qualquer obstáculo ou dificuldade".

Membros do partido de Saleh irão chefiar os ministérios da Defesa, da Relações Exteriores e do Petróleo, enquanto os políticos da posição garantiram as pastas do Interior, Finanças e Informação. O gabinete também inclui duas mulheres, uma de cada grupo.

O governo de unidade nacional é parte de um acordo de transferência de poder assinado no mês passado por Saleh na capital da Arábia Saudita, Riyadh. A oposição permitiu que Saleh, que estava há 33 anos no poder, tivesse imunidade judicial em troca da assinatura. Se o acordo apoiado pelos EUA e pelos países vizinhos for levado a cabo, Saleh será o quarto ditador derrubado do poder esse ano com as revoltas da Primavera Árabe . As eleições para definir um novo líder acontecem no país em 21 de fevereiro de 2012.

O acordo deverá deixar muitas instituições do antigo regime intactas, diferente do que aconteceu nos levantes que tiraram ditadores da Tunísia , Egito e Líbia .

Basindwa afirmou que o governo tem como prioridade prover serviços públicos como eletricidade, água e suprimentos básicos além de reestabelecer a segurança e a estabilidade. Essas eram as principais reivindicações dos manifestantes que começaram a sair nas ruas em fevereiro.

É esperado que o novo governo apresente seu programa ao Parlamento para uma aprovação dentro de dez dias.

Apesar dos avanços na retirada definitiva de Saleh do poder, forças de oposição e tropas do governo continuam a se confrontar nas ruas da capital Sanaa. Segundo uma testemunha, um civil foi morto e quatro soldados do governo ficaram feridos entre terça e quarta-feira.

Com AP

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