Veto na ONU dá a Assad 'licença para matar' na Síria, diz oposição

Rússia e China enfrentam críticas de países ocidentais e protestos no mundo árabe após vetarem resolução contra regime

iG São Paulo |

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne grupos de oposição da Síria, afirmou neste domingo que a Rússia e a China deram uma "licença para matar" ao presidente Bashar Al-Assad ao vetarem uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) contra seu regime.

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Menino participa de protesto contra Assad em Binsh, perto de Idlib, na Síria (03/02)

"O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado", disse uma declaração divulgada pelo grupo.

A ativista iemenita e vencedora do prêmio Nobel da Paz Tawakul Karman também afirmou que os dois países passaram a ter responsabilidade moral pelas mortes na Síria.

Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram a proposta de resolução que defendia "uma transição política, liderada pela Síria, para um sistema político democrático e plural".

O veto já havia sido duramente criticado por diplomatas ocidentais, que se disseram "indignados" e "horrorizados" com a rejeição do texto. A proposta de resolução - que contava com o apoio dos outros 13 integrantes do Conselho e da Liga Árabe, representante dos países da região - era considerada por analistas como o esforço mais importante feito até agora pela ONU para solucionar a crise na Síria.

A decisão aconteceu em um dos dias mais sangrentos desde o início do levante contra o governo de Bashar al-Assad, há 11 meses. Grupos rebeldes e ativistas dizem que um ataque militar contra a cidade de Homs na madrugada de sábado teria deixado mais de 200 civis mortos .

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Menino participa de protesto contra Assad em Binsh, perto de Idlib, na Síria (03/02)
A mídia estatal síria negou que tenha havido uma ofensiva militar em Homs e acusou a oposição de ter inventado os ataques. A imprensa oficial também elogiou o veto de Rússia e China, alegando que ele será um incentivo para as reformas políticas prometidas pelo governo.

Críticas

A Rússia é o principal aliado da Síria no Conselho de Segurança da ONU e já tinha afirmado que iria vetar a resolução. O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, criticou a proposta de resolução que, segundo ele, tinha medidas apenas contra o presidente Bashar al-Assad e não previa punições aos grupos de oposição armados.

Lavrov deve se reunir com Bashar al-Assad em Damasco na terça-feira, junto com o chefe do Serviço de Inteligência Internacional da Rússia, Mikhail Fradkov.

Mohammed Loulichki, embaixador do Marrocos na ONU e único membro árabe do atual conselho da ONU, afirmou que estava profundamente "decepcionado" com o veto de Rússia e China à resolução.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que o veto foi "vergonhoso" e mostrou que os russos e chineses "protegem um tirano". "Qualquer derramamento de sangue estará nas mãos deles", acrescentou Rice.

O enviado do Reino Unido à ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que os britânicos estão "chocados" com a rejeição da resolução. O embaixador francês na ONU, Gerard Araud, também lamentou a decisão. "É um dia triste para o conselho, um dia triste para todos os sírios e um dia triste para a democracia", disse.

A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados. O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos "lutando contra gangues armadas e terroristas".

Protestos

Neste domingo, dezenas de manifestantes invadiram a Embaixada da Rússia em Trípoli, na Líbia, em protesto contra o veto de Moscou.

Os manifestantes, que içaram na embaixada a bandeira-símbolo da rebelião síria (verde, branca e preta), também pediram ao Conselho Nacional de Transição (CNT) - governo provisório líbio - que expulse o embaixador russo na Líbia.

No momento da invasão o embaixador russo não estava no prédio, mas vários funcionários da missão diplomática tiveram de abandonar o local. Os jovens acusavam a Rússia de apoiar governos árabes tirânicos durante as revoltas da Primavera Árabe e de negar apoio à revolução popular na Líbia, que derrubou o regime de Muamar Kadafi em outubro do ano passado.

Em Beirute, capital do Líbano, manifestantes protestaram em frente às embaixadas chinesa e russa, num ato convocado pela Coordenação Libanesa para o Apoio à Revolução Síria.

Enquanto isso, outro ato reunia, a alguns metros dali, centenas de sírios e libaneses partidários do regime, exibindo imagens de Bashar al-Assad, do líder do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, e bandeirolas em homenagem a Rússia e China.

Com BBC, AFP e EFE

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