Unicef diz que 384 menores morreram na revolta da Síria

Cerca de 380 menores foram presos nesses dez meses; opositores ao governo sírio invadiram a embaixada do país no Cairo

iG São Paulo |

Ao menos 384 menores de idade morreram durante o levante na Síria iniciado há dez meses, e praticamente a mesma quantidade foi presa, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta sexta-feira.

Leia também: Violência aumenta na Síria enquanto ONU se prepara para reunião

Reuters
Antes da entrada dos tanques, crianças protestavam contra Assad em Zabadani, Síria (13/1/2012)

A porta-voz do Unicef Marixie Mercado disse à Reuters que os números foram baseados nos relatórios de organizações de direitos humanos, julgadas dignas de crédito pela agência.

"Até o dia 7 de janeiro, 384 menores morreram, em sua maioria meninos. Cerca de 380 foram detidos, alguns com menos de 14 anos", afirmou Rima Salah, vice-diretora executiva do Unicef.

A agência recebe informações de grupos de direitos humanos que revisam relatórios médicos e de hospitais, entrevistam famílias de vítimas e reúnem depoimentos de testemunhas, informou Mercado.

O número anterior de mortes de crianças era 307, segundo disse em 2 de dezembro a alta comissária para direitos humanos da ONU, Navi Pillay. Segundo a ONU, mais de 5 mil foram mortos na repressão do regime contra os opositores.

Também nesta sexta-feira, dezenas de opositores do presidente sírio, Bashar al-Assad, atacaram a Embaixada da Síria no Cairo, antes de serem dispersos pela polícia egípcia.

Também no Egito, milhares de manifestantes se manifestaram contra a junta militar que governa seu país depois da queda do presidente Hosni Mubarak e marcaram um ano da chamada Sexta-Feira da Ira , um dos maiores protestos que varreram o país durante o levante - parte do conjunto de revoltas da Primavera Árabe , que também inclui a Síria.

Ao menos 50 manifestantes invadiram a embaixada situada em Garden City, bairro do Cairo, e quebraram portas e janelas até a chegada das forças de segurança, que expulsaram as pessoas do prédio.

Um dos jovens que invadiram o edifício, que se identificou como Abu Ahmed Tartusi, afirmou à Agência Efe que ele e outros 20 companheiros entraram na legação síria e rasgaram as fotos de Assad e roubaram documentos dos serviços secretos sírios que contêm nomes de supostos agentes infiltrados entre os ativistas.

Acrescentou que, depois de meia hora dentro do edifício, os serviços de segurança egípcios dispararam para o alto para obrigar-lhes a abandonar a embaixada. O ativista destacou que "não havia nenhum funcionário no edifício", já que sexta-feira é o primeiro dia do fim de semana no Egito.

O embaixador sírio, Youssef Ahmed, foi até a embaixada depois do ocorrido e anunciou que denunciaria a ação às autoridades do Egito. "A embaixada síria é um alvo. Nós enviaremos uma carta pedindo proteção para a embaixada. A proteção atual é muito fraca", declarou Ahmed

Ele afirmou que sua residência também foi atacada nas últimas semanas, mas que estava vazia no momento do incidente. "São as mesmas pessoas. Demos uma lista com os nomes para as autoridades, mas nenhuma medida foi tomada", lamentou.

A invasão da embaixada aconteceu um dia depois que 65 morreram pela repressão das forças leais ao regime de Assad, a maioria em Homs e Hama, e coincide com uma nova jornada de violência que até o momento terminou com mais de 30 mortos.

AP
Policiais egípcios fazem a guarda da Embaixada da Síria no Cairo

Sequestro de iranianos

Rebeldes sírios afirmaram que mantêm sete iranianos reféns e não vão libertá-los enquanto o governo da Síria não soltar um oficial do Exército e encerrar as operações militares em Homs.

Um vídeo divulgado pelo grupo Batalhão Farouq, parte da organização rebelde Exército Livre Sírio, mostra os sete iranianos, barbudos e usando camisetas pretas, sentados diante de uma parede onde se pode ver um fuzil. Não foi possível comprovar a autenticidade do vídeo.

A agência iraniana Irna afirma que 11 peregrinos iranianos foram sequestrados enquanto viajavam da Turquia para Damasco. Segundo a reportagem, um ônibus com 49 iranianos foi parado depois de deixar a cidade de Halab na quinta-feira.

De acordo com o registro, homens armados sequestraram 11 jovens do grupo e deixaram os outros passageiros - que incluiam idosos, mulheres e três crianças - prosseguirem viagem. A Irna acrescentou que os agressores atacaram o resto do grupo, roubando seu dinheiro e objetos de valor.

O Irã, país muçulmano xiita, mas não árabe, é o aliado mais próximo do presidente da Síria que pertence a uma vertente minoritária do islamismo, a seita alauíta, ramificação do xiismo.

Com Reuters, AP, EFE e AFP

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