União Europeia impõe sanções contra mulher de presidente da Síria

Medida contra Asma Assad, nascida em Londres, tenta aumentar pressão sobre regime, enquanto Annan anuncia visita à Rússia e China

iG São Paulo |

A União Europeia (EU) decidiu nesta sexta-feira impor sanções contra Asma Assad, mulher do presidente da Síria, Bashar Al-Assad. Nascida em Londres e cidadã britânica, Asma terá seus bens congelados, numa medida que busca aumentar a pressão sobre o regime sírio, alvo de uma revolta popular há mais de um ano .

As sanções foram acordadas no mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o enviado do órgão e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, visitará a Rússia e a China como parte de negociações para resolver a crise. Os dois países vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o regime de Assad.

Leia também: Supostos emails de líder sírio mostram vida luxuosa e ajuda do Irã

AP
Presidente Bashar al-Assad deposita voto perto de sua mulher, Asma, durante referendo sobre nova Constituição em 26 de fevereiro

Reunidos em Bruxelas, os chanceleres dos países da EU impuseram sanções contra um total de quatro familiares de Assad e oito ministros do governo. Os nomes incluídos na lista serão divulgados no sábado, mas diplomatas disseram que Asma Assad está na lista.

Além do congelamento dos bens, os indivíduos também estão impedidos de ir a países do bloco. Não é possível, porém, impedir Asma de visitar o Reino Unido, uma vez que tem cidadania britânica.

A mulher de Assad é filha de um médico cardiologista e viveu no bairro de Acton (oeste da capital britânica). Ela é sunita e sua família é de Homs, epicentro dos protestos contra o regime sírio. A primeira-dama estudou em um colégio privado de Londres, no Imperial College, e trabalhou no banco de investimento J.P.Morgan antes de casar-se com Assad meses depois de ele assumir o poder, em 2000.

Na semana passada, o jornal britânico The Guardian afirmou que milhares de emails recebidos e enviados por Assad e sua mulher mostraram que o presidente sírio recebeu conselhos do Irã sobre como lidar com o levante contra seu governo.

As mensagens, que não passaram por uma verificação independente, também sugerem que Asma continuou comprando produtos de luxo online mesmo depois de a rebelião ter começado e a crise ter se agravado no país.

ONU

No fim de semana, Kofi Annan conversará com autoridades russas e chinesas sobre o plano de paz de seis pontos prevê acabar com os assassinatos, garantir o acesso de ajuda humanitária e o início de um diálogo político com a oposição.

"O senhor Annan e sua equipe estão atualmente estudando as respostas sírias cuidadosamente, e as negociações com Damasco continuam", disse o porta-voz de Anna, Ahmad Fawzi. “As negociações estão em um ponto muito delicado e Anna não fará nenhuma mediação pela imprensa.”

Nesta sexta-feira, o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou o que chamou de "escalada aguda" e violações generalizadas cometidas por forças sírias e estendeu o mandato de seus investigadores que documentam crimes contra a humanidade no país, incluindo execuções e tortura.

Os 47 membros que participaram do fórum em Genebra, na Suíça, adotaram uma resolução apresentada pela Dinamarca em nome da UE que prolonga o mandato da comissão de inquérito até a sua sessão em setembro.

Na votação, 41 Estados foram a favor, três contra (China, Cuba e Rússia), dois se abstiveram e um não participou (Filipinas).

Mais cedo, o conselho derrotou a proposta da Rússia de emendar a resolução para que também condenasse os mortais "ataques terroristas" em Damasco e Aleppo no início deste mês. A delegação russa denunciou que a resolução europeia tinha apenas "um lado".

Com AP, Reuters e AFP

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