O embaixador sírio em Genebra, Faysal Khabbaz Hamoui, participa de sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a Síria
Três empresas petrolíferas estão entre os alvos do novo pacote de sanções contra a Síria anunciado pela União Europeia na quinta-feira. A lista de 12 indivíduos e 11 empresas que serão punidas para aumentar a pressão sobre o governo de Bashar al-Assad foi publicada no diário oficial do bloco europeu nesta sexta-feira.
Estão na lista a estatal Syria Trading Oil (Sytrol), a General Petroleum Corporatium (GPC) e uma de suas joint ventures, a Al Furat Petroleum Company. Também foram punidas empresas de mídia e companhas que “fornecem equipamentos de natureza duvidosa” a um centro de pesquisa que apoia a repressão contra a dissidência.
Em comunicado emitido na quinta-feira, após uma reunião em Genebra, os chanceleres da EU disseram que as sanções buscam convencer o governo Assad a pôr fim à repressão aos protestos contra seu governo, que começaram em março. Para o bloco, a repressão “pode levar a Síria a um caminho muito perigoso de violência, conflitos sectários e militarização”.
Também nesta sexta-feira, a Royal Dutch Shell afirmou que vai interromper suas atividades na Síria, em cumprimento com a nova rodada de sanções impostas ao país. “Nossa principal prioridade é a segurança de nossos funcionários, dos quais sentimos muito orgulho”, afirmou um porta-voz da empresa. “Esperamos que a situação melhore rapidamente para todos os sírios.”
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A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a repressão aos protestos deixou 4 mil mortos desde março e que a Síria está em guerra civil. Nesta sexta-feira, na abertura da sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para abordar a situação na Síria, a alta comissária Navi Pillay pediu que comunidade internacional adote "medidas urgentes e efetivas" para proteger os cidadãos sírios.
Segundo Navi, mais de 14 mil sírios estão detidos e pelo menos 12,4 mil buscaram refúgio em países vizinhos desde que a crise começou. A representante da ONU também expressou sua preocupação com "os crescentes ataques armados das forças de oposição contra militares sírios e membros das forças de segurança do Estado”.
Nesta sexta-feira, um grupo de oposição disse que um ataque de desertores do Exército contra um prédio do setor de inteligência deixou oito mortos. O atentado teria acontecido na véspera na província de Idlib, entre as cidades de Jisr al-Shughour e Latakia, na costa do Mediterrâneo.
O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede na Grã-Bretanha, também disse que ao menos 20 civis foram mortos por forças de segurança sírias em todo o país na quinta-feira, a maioria nas províncias de Hama e Homs.
Em Genebra, Navi Pillay pediu à Síria que permita a entrada no país de observadores da Liga Árabe, especialmente nos centros de detenção, e reiterou o pedido para que Damasco receba uma comissão independente para investigar a situação.
Um relatório divulgado pela comissão conclui que foram cometidos crimes contra a humanidade com o consentimento do governo, o que motivou a convocação da sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra. O conteúdo do relatório foi rejeitado pelo embaixador sírio em Genebra, Faysal Hamoui. "Suas conclusões carecem de objetividade e credibilidade e só servem para jogar mais lenha na fogueira", disse.
O embaixador sírio acusou a comissão de não pedir às forças de oposição que detenham suas ações armadas e que estabeleçam um processo de diálogo com o governo. Ele defendeu que Damasco iniciou um processo de reforma política, que terá seus primeiros resultados concretos "entre os meses de fevereiro e março".
França
O ministro francês do Interior, Claude Guéant, afirmou nesta sexta-feira que a França está adotando medidas para proteger opositores do governo sírio em seu território. A menina é anunciada após o líder do Conselho Nacional Sírio, Burhan Ghalioun, que está em Paris, ter recebido ameaças.
A França havia dito anteriormente que não iria tolerar que a Síria intimidasse ativistas da oposição em solo francês.
Diplomatas sírios em capitais estrangeiras estão promovendo campanhas de intimidação contra dissidentes exilados que protestam diante de embaixadas da Síria, segundo a Anistia Internacional.
"Temos de proteger todos aqueles que possam ser ameaçados. Sabemos que o governo sírio é violento e não vai hesitar em recorrer a ameaças, especialmente contra aqueles que poderiam ser chamados a ter um papel no novo movimento democrático sírio", disse Guéant.
Com AP, EFE e Reuters