União Europeia endurece sanções contra a Líbia

Bloco congela bens de cinco instituições e acrescenta mais um nome à lista de 26 indivíduos com recursos econômicos bloqueados

iG São Paulo |

A União Europeia (UE) aprovou nesta quinta-feira o endurecimento das sanções econômicas contra a Líbia, congelando os bens de cinco instituições não identificadas que estariam ligadas ao líder líbio, Muamar Kadafi. O bloco também acrescentou mais um nome a uma lista de 26 indivíduos que tiveram seus recursos econômicos bloqueados na semana passada.

As novas sanções foram aprovadas pelos 27 países-membros e entrarão em vigor nesta sexta-feira, com a publicação da medida no "Diário Oficial da União Europeia", segundo informou o bloco, em comunicado.

Horas depois, o ministro alemão da Economia, Rainer Bruerderle, anunciou que o país congelaria "bilhões de euros" de instituições como o Banco Central líbio e a Autoridade de Investimento da Líbia.

"As medidas são uma reação clara aos acontecimentos na Líbia. A brutal supressão da liberdade de movimento não pode mais ser financiada por fundos que estão em bancos alemães", afirmou, em comunicado. "O governo alemão está dando um sinal claro de que apoia firmemente os que estão lutando por liberdade, democracia e justiça."

As sanções impostas pela UE e pela Alemanha vão além das aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU em fevereiro, que já havia determinado o congelamento de bens de Kadafi e seus familiares.

Autoridades disseram que, até a última sexta-feira, a Grã-Bretanha tinha congelado bens líbios no valor total de US$ 3,3 bilhões. O Departamento de Estado americano disse ter congelado US$ 32 bilhões em fundos do governo da Líbia.

França

Também nesta quinta-feira, a França reconheceu a liderança rebelde da Líbia - reunida no Conselho Nacional de Transição Interino (CNTR) - como governo legítimo do país imerso em conflito.

A decisão foi anunciada em Paris pelo gabinete do presidente Nicolas Sarkozy, um dia depois de deputados do Parlamento Europeu terem feito um apelo à União Europeia (UE) a reconhecer os rebeldes.

A alta representante para Relações Exteriores da UE, Baronesa Ashton, disse que não tinha mandato para tomar a decisão. Um enviado do CNTR busca apoio na Europa, mas diplomatas da UE ouvidos pela emissora britânica BBC disseram que precisavam compreender quem eram os líderes rebeldes, e se o grupo era verdadeiramente representativo da oposição.

Reunião em Bruxelas

A União Europeia e a Otan começarão nesta quinta-feira dois dias de diálogo intenso sobre a situação da Líbia, com discussões focadas na possível zona de restrição aérea que seria imposta sobre o país. O objetivo é evitar os bombardeios dos aviões de Kadafi sobre a população civil, o que vem ocorrendo nos últimos dias.

"A Otan não pretende intervir na Líbia, mas pedimos a nossos militares que elaborassem planos para todas as eventualidades", afirmou o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, ao canal britânico Sky News. "Se solicitado e se necessário, podemos responder a curto prazo. Há uma série de sensibilidades na região em relação ao que poderia ser considerada interferência militar estrangeira", disse, acrescentando que qualquer ação deve ter ampla base de apoio.

A Itália, cujas bases poderiam ter um papel importante em qualquer ação militar, disse que apoiará as decisões tomadas pela Otan, a UE e a ONU, abrindo caminho para o envio das forças norte-americanas instaladas em Nápoles, se necessário.

Zona de exclusão aérea

Na quarta-feira, o Parlamento Europeu e a oposição líbia pressionaram a UE para que a zona de exclusão aérea seja criada. Com exceção da Esquerda Unida Europeia (GUE/NGL), todos os partidos do Parlamento Europeu se mostraram favoráveis a bloquear o espaço aéreo líbio para evitar os bombardeios dos aviões de Kadafi sobre a população civil, o que vem ocorrendo nos últimos dias.

Em meio às discussões, Kadafi disse em entrevista que a população pegará em armas se o bloqueio aéreo for imposto. "Se eles tomarem esta decisão, será útil para a Líbia, porque o povo líbio verá a verdade, que o que eles querem é assumir o controle da Líbia e roubar seu petróleo", disse Kadafi. "Então o povo líbio pegará em armas contra eles", afirmou.

Zonas de exclusão aérea foram impostas sobre as regiões sul e norte do Iraque durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, e durante o conflito na Bósnia, entre 1994 e 1995.

Os confrontos entre forças leais a Kadafi e opositores teriam deixado mais de mil mortos desde o início da revolta, há três semanas. Mais de 215 mil - a maioria trabalhadores imigrantes - deixaram o país, segundo estimativas da ONU.

Com BBC, EFE e Reuters

    Leia tudo sobre: líbiasançõesuniao europeiakadafiprotestos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG