União Europeia amplia sanções contra Síria após violência em Hama

Países do bloco europeu condenam ataques do Exército que deixaram dezenas de mortos em cidade palco de protestos antigoverno

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo que diz mostrar homem sendo levado ao hospital após ataque do Exército em Hama, na Síria (31/07)
A União Europeia (UE) ampliou suas sanções contra a Síria nesta segunda-feira, um dia após uma violenta operação do Exército ter deixado dezenas de mortos no país, a maior parte na cidade de Hama. Segundo testemunhas e ativistas, os ataques continuam acontecendo no local que é palco de alguns dos mais intensos protestos contra o governo do presidente Bashar Al-Assad.

Cinco autoridades militares e do governo foram incluídas na lista de alvos de sanções da UE, que passa a ter um total de 35 nomes. Estes individúos tiveram seus bens congelados e estão proibidos de viajar para os países do bloco europeu.

A chanceler da UE, Catherine Ashton, condenou a violência de domingo em Hama. "Quero lembrar as autoridades da Síria sobre sua responsabilidade em proteger a população", afirmou. "A violência brutal cria sérios riscos de uma escalada de tensão e divisões que não são consistentes com reformas amplas."

Este é o quarto pacote de sanções adotado pela UE contra a Síria em resposta aos ataques contra a população. O bloco vai divulgar os nomes das autoridades incluídas na lista de sanções na terça-feira.

A campanha do governo de Assad para tentar sufocar os protestos na Síria deixam o governo sob fortíssima pressão internacional, com condenações vindas de todos os lados. Depois de Itália e Alemanha pedirem uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para adotar uma posição firme contra a Síria, o órgão anunciou que se reunirá a portas fechadas no início da noite desta segunda-feira (por volta das 18h de Brasília).

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Christine Fages, disse que seu país e a UE "estão preparando uma série de novas sanções" contra Síria, que serão discutidas em uma reunião informal de chanceleres do bloco no próximo mês.

Segundo Christine, as autoridades políticas, militares e de segurança da Sítia "devem saber, agora mais do que nunca, que precisam assumir a responsabilidade por seus atos."

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, também pediu sanções mais rígidas contra o governo de Bashar Al-Assad, mas afirmou que não há a "menor possibilidade" de uma ação militar internacional no país.

Em entrevista à BBC, Hague disse que os ataques de domingo são "ainda mais chocantes" por terem acontecido na véspera do Ramadã, o mês do jejum para os muçulmanos.

No domingo, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as informações vindas da Síria eram " horríveis ". "Mais uma vez, o presidente (Bashar Al-Assad) mostrou que é completamente incapaz e não quer atender às queixas do povo sírio", afirmou.

Obama disse ter ficado consternado e horrorizado com o uso de "violência e brutalidade contra seu próprio povo" por parte do governo sírio, e acrescentou que os EUA continuarão a trabalhar para isolar o governo de Assad.

Dezenas de mortos

Forças de segurança da Síria retomaram nesta segunda-feira os ataques na cidade de Hama. Quatro pessoas teriam morrido em um bairro na região noroeste da cidade, segundo ativistas de direitos humanos.

Os ataques se seguem a um dos dias mais violentos desde o início dos protestos contra o governo, em março. O número exato de mortes registradas no domingo é incerto, dada a proibição que o governo sírio impõe ao trabalho da imprensa estrangeira.

Segundo a Associated Press, os ataques teriam deixado pelo menos 75 mortos. De acordo com a BBC, são cerca de 130 vítimas em todo o país.

Com AP, BBC e EFE

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