UE decide sancionar 13 membros do regime sírio, menos o presidente

Sanções serão adotadas formalmente na próxima semana e incluem proibição de viagem à Europa e congelamento de ativos

iG São Paulo |

Os países da União Europeia (UE) alcançaram nesta sexta-feira um acordo político para sancionar 13 personalidades do regime sírio em resposta à violenta repressão dos protestos no país, segundo uma fonte diplomática.

Na lista não aparece, entretanto, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, apesar de vários Estados-membros terem pressionado para que seu nome fosse incluído. As sanções serão adotadas formalmente no início da próxima semana e incluirão a proibição de viajar à Europa e o congelamento de ativos em território comunitário dos envolvidos.

As medidas estipuladas para a Síria são as que os 27 impuseram em casos anteriores contra os regimes que reprimiram com violência a onda de manifestações no mundo árabe nos últimos meses.

A exclusão de Bashar al-Assad da lista de sancionados não significa que não possa ser afetado em um futuro próximo, porque esse tipo de lista é alvo de constante revisão e pode ser ampliada rapidamente.

Esse será o primeiro pacote europeu de sanções contra a Síria, mas poderia ser acompanhado em breve de novas medidas. Na última sexta-feira, os embaixadores dos 27 países concordaram em impor embargo de armas à Síria, uma ação que ainda não entrou em vigor porque os analistas europeus continuam trabalhando nela para torná-la efetiva em breve.

Nessa reunião, os Estados-membros se comprometeram também em revisar "todos os aspectos de sua cooperação com as autoridades sírias", como explicou em comunicado a chefe da diplomacia comunitária, Catherine Ashton.

Os programas de cooperação em vigor incluem uma verba de 129 milhões de euros no período 2011-2013 para apoiar reformas políticas e econômicas e uma bolsa de investimentos de 1,3 bilhão de euros por meio do Banco Europeu de Investimentos (BEI), uma das mais importantes na região.

Desde 2007, a União concedeu ao país árabe 80 milhões de euros para ajudar as autoridades a enfrentar a chegada de refugiados iraquianos. Ao mesmo tempo, os 27 decidiram paralisar qualquer avanço em direção ao acordo de associação com a Síria, que o bloco oferecia a Damasco há anos, mas que nunca chegou a concretizar-se.

AFP
Reprodução de vídeo baixado do YouTube mostra sírios protestando em Kofr Bel
Repressão violenta

A condenação internacional vem aumentando enquanto o levante sírio entra em sua sétima semana sem sinais de quando chegará ao fim.

Nesta sexta-feira, forças de segurança da Síria abriram fogo contra manifestantes, deixando dezenas de mortos e vários outros gravemente feridos durante manifestações em todo o país reivindicando o fim do regime de Assad, disseram testemunhas e ativistas.

A repressão das forças de segurança foi feita durante protestos em Homs, a 160 km ao norte de Damasco, e Hama, segundo fontes dos direitos humanos.

Além disso, um dos principais opositores do governo, Riad Seif, foi preso em Damasco, informou à AFP o presidente do Observatório de Direitos Humanos sírio, Rami Abdel Rahman. "Ele foi preso depois da oração de sexta-feira, perto da mesquita de Al Hassan", indicou o presidente da organização não-governamental (ONG).

Vários tanques entraram nesta sexta-feira em Homs, a terceira cidade da Síria, ao mesmo tempo em que vários opositores ao regime de Assad se manifestavam em vários lugares do país, desafiando a proibição anunciada na quinta-feira pelo Ministério do Interior.

"Hoje é a sexta-feira do desafio. É uma mensagem a todos os que têm consciência da situação. Não nos mexeremos. Nos sacrificaremos pela liberdade, a dignidade e o orgulho (...)", afirma um texto publicado no site "The Syrian Revolution 2011", criado por jovens militantes.

O Ministério do Interior pediu em um comunicado à população que não participasse de manifestações ou vigílias, para que a "estabilidade e a segurança" retornem e para "ajudar as autoridades a cumprir com sua missão". O ministério também indicou ter "libertado 361 pessoas que se renderam à polícia".

*Com AP, EFE e AFP

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