Turquia propõe 'mapa' para a paz na Líbia

Medidas e metas para plano serão debatidas por representantes da comunidade internacional em reunião na semana que vem no Catar

iG São Paulo |

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs um mapa de metas para a paz na Líbia ao mesmo tempo em que apelou a forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, a recuar em nome da transição democrática no país.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Erdogan disse que as medidas e coordenadas do plano seriam discutidas em um encontro para avaliar e guiar a intervenção da comunidade internacional na Líbia, prevista para ocorrer no Catar, na próxima semana.

AFP
Primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, fala sobre a Líbia em Ancara, capital da Turquia
Nesta semana, a Turquia manteve diálogos com enviados do governo de Kadafi e representantes da oposição líbia. O premiê turco assegurou à oposição que a Turquia apoia suas demandas, depois de recentes protestos de alguns membros da oposição contra na Líbia contra a Turquia.

A Turquia inicialmente recebeu com receio a ideia de intervenção militar na Líbia, mas agora apoia uma zona de exclusão aérea para proteger civis. Além disso, o governo turco de voluntariou para liderar esforços de ajuda humanitária na Líbia.

O Ministério das Relações Exteriores britânico disse que representantes de potências europeias, aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, representantes da Liga Árabe e organizações internacionais estarão na reunião em Doha, Catar, prevista para a próxima quarta-feira. O grupo para debater a questão Líbia foi estabelecido durante um encontro em Londres, na semana passada.

'Impasse'

Também nesta quinta-feira, o general americano Carter Ham disse acreditar que um impasse parece estar se desenhando na Líbia entre os rebeldes e as forças leais a Kadafi.

Os comentários de Ham, que liderou a campanha aérea da coalizão ocidental antes de passar o comando à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), foram feitos durante uma audiência no Senado americano.

O senador republicano John McCain, que pressiona por um maior envolvimento dos Estados Unidos, interrogou duramente Ham sobre os riscos de Kadafi permanecer no poder. Questionado por McCain se ele acredita que a situação no local pode ser descrita como um impasse, ou ao menos um impasse emergindo, Ham disse: "Concordo com isso no presente".

Chefe do comando militar dos EUA na África, Ham depois reconheceu que a probabilidade de impasse é maior agora do que antes de os EUA passarem o controle da campanha aérea à Otan, no dia 31 de março.

O presidente norte-americano, Barack Obama, descarta a possibilidade de enviar forças terrestres à Líbia e autoridades importantes do governo salientaram os limites do envolvimento dos EUA no que poderá ser uma longa guerra civil.

AFP
Rebelde líbio chora após levar feridos para hospital em Ajdabiya

Rebeldes

Também nesta quarta-feira forças rebeldes da Líbia disseram que a Otan bombardeou por engano tanques da oposição nesta quinta-feira na cidade de Ajdabiya. Segundo médicos do hospital local, o ataque matou pelo menos 13 integrantes das forças rebeldes.

A rede de televisão Al Arabiya disse que os mortos podem chegar a 50. Uma autoridade da ONU em Bruxelas afirmou que a organização vai analisar a acusação dos rebeldes, mas disse não ter informações sobre o suposto ataque equivocado.

Nesta quinta-feira, os rebeldes recuaram para Ajdabiya após enfrentaram um pesado bombardeio das forças pró-Kadafi na cidade de Brega. Veículos militares e ambulâncias passavam em alta velocidade pela estrada que liga as duas cidades.

Relatos não confirmados indicaram que um bombardeio promovido pela coalizão internacional pode ter danificado um oleoduto. Khaled Kaim, vice-ministro das Relações Exteriores de Kadafi, afirmou a jornalistas estrangeiros em Trípoli que três guardas teriam sido mortos e outros funcionários feridos durante um ataque aéreo promovido por caças britânicos no campo de petróleo Sarir, na bacia de Sirte. Porém, o campo de petróleo estava sob controle das forças rebeldes, que acusaram o governo de promover ataques na região, forçando a interrupção da produção de petróleo.

O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha não comentou as declarações do governo líbio, mas na tarde da quarta-feira havia afirmado que caças britânicos haviam atingido alvos no entorno de Sirte e Misrata, atacando veículos blindados e tanques. parte das forças de Kadafi. Ele agregou que há dezenas de feridos, incluindo idosos e crianças.

Carta de Kadafi para Obama

O governo dos Estados Unidos rejeitou um apelo pessoal do líder líbio ao presidente americano, Barack Obama, e repetiu a exigência de que ele renuncie e deixe o país para o exílio. "O senhor Kadafi sabe o que ele precisa fazer", afirmou nesta quarta-feira a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, comentando a carta de três páginas do líder líbio recebida por Obama. "É preciso haver um cessar-fogo e suas forças devem se retirar das cidades que tomaram à força com grande violência e custo humano", disse. "É preciso haver uma decisão sobre sua saída do poder e sua saída da Líbia."

Um porta-voz da Casa Branca também respondeu à carta de Kadafi, dizendo que ações, e não palavras, são esperadas agora por parte do líder líbio.

Na carta enviada ao presidente americano, Kadafi se referia a Obama como "nosso filho" - em uma aparente referência às raízes africanas de Obama - e pediu aos Estados Unidos que pare "uma guerra injusta contra um pequeno povo de um país em desenvolvimento".

O líder líbio saudou ainda o fato de que os caças americanos já não estarem participando dos ataques aéreos na Líbia e acusou os rebeldes de serem "militantes da Al-Qaeda". Segundo ele, sua nação foi ferida "moralmente" mais do que "fisicamente".

Os Estados Unidos participam, ao lado de países como França e Grã-Bretanha, da coalizão internacional liderada pela Otan que vem promovendo ataques aéreos contra as forças de Kadafi para garantir a segurança dos civis líbios.

Uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU no mês passado estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia e autorizou a ação militar para proteger os civis opositores dos ataques pelas forças de Kadafi. A Líbia vinha sendo palco de manifestações intensas contra o regime de Kadafi, inspirados pela onda de protestos pró-democracia em países árabes.

Com BBC, Reuters, AFP e AP

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