Turquia promete tomar medidas se Síria não cumprir cessar-fogo

Apesar de plano de paz acordado pelo presidente Assad, violência se intensifica no país árabe e deixa cerca de 100 mortos

iG São Paulo |

AFP
Premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, discursa para parlamentares em Ancara (22/11/2011)
O premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que seu país esperará "pacientemente" para ver se a Síria cumprirá o prazo para o cessar-fogo , mas poderá tomar algumas "medidas" caso não veja sinais de diminuição da violência.

Leia também: Governo da Síria aceita prazo para iniciar plano de cessar-fogo

Erdogan não deixou claro quais medidas a Turquia tomaria, mas, no passado, Ancara cogitou criar uma zona tampão dentro da Síria se o fluxo de refugiados se tornasse muito numeroso.

Autoridades afirmar que cerca de 700 sírios atravessaram a fronteira para a Turquia desde sexta-feira, aumentando o número de refugiados no país para 24.324. A Turquia também afirmou que procuraria ajuda na ONU se o influxo de refugiados fosse insustentável.

Saiba mais: Milhares de refugiados sírios chegam à Turquia

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, aceitou um prazo para implementar o cessar-fogo no país sugerido pelo enviado especial Kofi Annan - que impõe para a quinta-feira a retirada das forças de segurança das cidades.

Apesar do prazo, a violência não dá sinais de diminuição no país árabe, que enfrenta uma revolta popular reprimida com mãos de ferro desde março do ano passado. Ao menos 100 pessoas morreram neste que foi considerado um dos dias mais sangrentos desde que foi implementado o plano de cessar-fogo.

Segundo a rede britânica BBC, grupos de ativistas e monitores clandestinos de dentro da Síria informaram que mais de 30 pessoas morreram em Latamneh, subúrbio de Hama, por tiros disparados pelas tropas governamentais. Um vídeo que teria sido feito em Homs mostra 13 vítimas em uma aparente execução em massa.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou ao governo que não usasse a trégua como uma "desculpa para matar". Segundo a Turquia, os refugiados para o seu país dobraram depois que Assad concordou com o plano de paz proposto pela ONU e a Liga Árabe.

O plano, que contém seis pontos, prevê o fim da violência armada dos dois lados do conflito a partir do dia 10 de abril, com um cessar-fogo total em 12 de abril. No entanto, a oposição da Síria, os EUA e muitos países da região expressaram ceticismo sobre o real comprometimento da Síria ao plano.

Na capital, Damasco, centenas de manifestantes pró-Assad participaram de uma marcha para marcar o 65º aniversário do partido Baath.

AP
Manifestantes pró-Assad fazem passeata em praça de Damasco, na Síria

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, um grupo ativista, disse que 107 pessoas foram mortas, incluindo 74 civis. Outra rede, os Comitês de Coordenação Locais, deram uma estimativa de 133 mortos, sem incluir os membros da força de segurança da Síria.

Com AP e agências internacionais

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