Turquia e Liga Árabe se opõem à intervenção estrangeira na Síria

Grupo e Ancara se reúnem em Marrocos e deram o prazo de três dias a Damasco para acabar com a violência contra civis

iG São Paulo |

A Liga Árabe e a Turquia se declararam contra a qualquer intervenção estrangeira na Síria em comunicado conjunto divulgado nesta quarta-feira após o fórum de cooperação turco-árabe em Rabat, Marrocos. O país e o grupo também deram a Damasco o prazo de três dias para acabar com a violência contra civis, ou aplicarão mais sanções.

No comunicado, eles pediram a adoção de medidas “urgentes para proteger os civis” da repressão do presidente Bashar al-Assad. “O Fórum afirma que é preciso deter o derramamento de sangue e preservar os cidadãos sírios de novos atos de violência e de matanças, o que implica uma tomada de medidas urgentes para garantir a proteção dos civis.”

AP
Chanceler turco, Ahmet Davutoglu, conversa com Ministro das Relações Exteriores do Marrocos, Taib Fassi Fihri
Desde que começaram os protestos pedindo a deposição de Assad, cuja família governa a Síria há mais de 40 anos, mais de 3,5 mil civis foram mortos durante as intervenções da segurança, segundo a ONU.

"Os ministros também insistiram na importância da estabilidade da unidade da Síria, e na necessidade de encontrar uma solução para a crise, sem nenhuma intervenção estrangeira", acrescentou.

Embora a Turquia não seja um membro da Liga Árabe, seu chanceler, Ahmet Davutoglu, participou do encontro nesta quarta. A Turquia, que compartilha uma extensa fronteira com a Síria, tem adotado uma postura cada vez mais crítica em relação a Assad.

Antes da divulgação do comunicado, Davutoglu afirmou aos ministros da Liga Árabe que a Síria enfrentaria um isolamento se continuasse nesse caminho. “O custo para o governo da Síria em não cumprir as promessas feitas à Liga Árabe é seu isolamento”, afirmou.

“O regime sírio deveria ler bem esse recado que a Liga Árabe manda e parar com a violência contra seu próprio povo para abrir caminho para uma inevitável transformação democrática.”

Na terça-feira, Ancara puniu a Síria com sanções energéticas, suspendendo a exploração conjunta de petróleo e ameaçando cortar o fornecimento de energia a sua vizinha do sul, em ações que foram muito bem recebidas em Washington.

Assad enfrenta uma crescente pressão internacional por não ter honrado com os compromissos acordados com a Liga Árabe . Devido ao desrespeito das tropas governamentais ao plano, os 22 membros da Liga Árabe decidiram no sábado pela suspensão da Síria do grupo e ratificaram a medida nesta quarta.

Após a reunião de hoje, o chanceler do Catar, Hamad bin Jassim al-Thani, anunciou que o grupo determinou o envio de observadores à Síria. "Os observadores vão se encarregar de investigar a aplicação dos dispositivos do plano da Liga Árabe para solucionar a crise e proteger os civis."

O plano de paz pedia a proteção de civis, a retirada de tropas de cidades e aldeias onde os enfrentamentos têm ocorrido, a libertação dos que foram presos durante os protestos e o começo de negociações com a oposição.

Na terça-feira, a Síria libertou mais de mil prisioneiros em uma aparente proposta de última hora para aplacar os líderes árabes à frente do encontro de Rabat, em que o país não será representado.

Ataque à base

O comunicado do encontro em Rabat foi divulgado horas depois de desertores do Exército sírio atacarem uma base da inteligência da instituição em Damasco, em um dos mais ousados ataques nesses oito meses de conflitos.

Segundo fontes ouvidas pela BBC, seis soldados foram mortos no ataque. O movimento sem precedentes contra Assad tem sido liderado por manifestantes pacíficos, mas nos últimos meses, um número crescente de desertores se organizou em torno do Exército Livre da Síria para lutar contra o governo.

"O Exército Livre atacou com mísseis e lança-granadas as bases da inteligência da Força Aérea que estão posicionadas na entrada de Damasco", disse o Comitê de Coordenação Local, uma rede ativista, acrescentando que havia fumaça vindo dessa área.

O Exército Livre da Síria anunciou que estava formando um conselho militar temporário para liderar a luta para derrubar o regime de Assad.

O conselho pretende "derrubar o atual regime, proteger as propriedades públicas e privadas, e os civis sírios da opressão, e evitar o caos e atos de vingança quando o regime cair", segundo um comunicado recebido em Nicósia.

O coronel Riyadh al-Asaad, que desertou do Exército regular para formar o Exército Livre da Síria em julho, irá presidir o conselho.

França aumenta pressão

Em outro sinal do isolamento internacional da Síria, a França anunciou a retirada de seu embaixador do país, Eric Chevallier. Alain Juppé, chanceler francês, falou ao Parlamento sobre a “retomada da violência” e anunciou a decisão.

Partidários de Assad atacaram nesta quarta-feira a Embaixada de Marrocos em Damasco e arrancou a bandeira do país, informou à AFP o embaixador Mohammed Khassasi.

A TV Al-Arabiyah informou sobre ataques também nas Embaixadas do Catar e dos Emirados Árabes Unidos no país.

Na semana passada, diversas embaixadas em Damasco foram atacadas após o voto da Liga Árabe suspender a Síria, inclusive a francesa e a americana.

Leia também: Manifestantes atacam embaixada saudita em protesto contra Liga Árabe

Apesar das reuniões e da pressão internacional, a violência continuou na Síria nesta quarta. O Comitê de Coordenação Local afirmou que 11 foram mortos em Homs, sete em Idlib, um em Daraa e outro nos subúrbios de Damasco.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos afirmou em sua página no Facebook que três desertores e um civil foram mortos em Hama.

Segundo ativistas, cerca de 376 foram mortos desde o anúncio da iniciativa da Liga Árabe em 2 de novembro.

Com AP, AFP, BBC

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