Turquia distribui ajuda a refugiados sírios através da fronteira

Forças do regime sírio isolaram a vila de Badma e fecharam sua padaria, a única fonte de pão para milhares

iG São Paulo |

Pela primeira vez, a Turquia começou neste domingo a distribuir alimentos através da fronteira para pessoas desalojadas dentro da Síria, enquanto o regime de Bashar al-Assad reforça sua repressão em áreas no norte do país.

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Refugiados sírios são vistos em acampamento recém-aberto em Yayladagi, Turquia
As forças sírias isolaram a vila de Badma e fecharam sua padaria, a única fonte de pão para milhares. Segundo testemunhas, elas também estabeleceram postos de controle e estão realizando prisões.

A Turquia diz que mais de 10,5 mil cruzaram para seu território, mas há mais outros acampando no lado sírio, pouco antes da fronteira turca. "A distribuição de ajuda humanitária começou a responder às necessidades urgentes de alimentos dos cidadãos sírios no lado sírio de nossa fronteira", disse a agência de situações de emergência da Turquia em uma declaração neste domingo.

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Refugiados sírios são vistos em Boynuyogun, Turquia (18/06)
Na aldeia de Jarbet al-Joz, no extremo norte da Síria, na fronteira com a Turquia, opositores sírios anunciaram neste domingo a formação de um Conselho Nacional para enfrentar o regime de Damasco.

"O Conselho Nacional, que tem o objetivo de dirigir a revolução síria, é composto por todas as comunidades e representantes de forças políticas nacionais no interior e no exterior da Síria", disse o grupo.

O porta-voz Jamil Saib afirmou que são membros do conselho Abdallah Trad el Mulahim - um dos organizadores de uma reunião de opositores sírios realizada no começo de junho em Antalya, na Turquia -, Haitham el Maleh, Suhair al Atasi e Aref Dalila - os três moradores da Síria -, assim como o xeque Jaled al Jalaf e Mamun el Homsi.

Ataque a Bdama

Soldados e tanques do Exército sírio atacaram no sábado o vilarejo de Bdama, no noroeste do país, a poucos quilômetros da fronteira com a Turquia. O vilarejo fica perto da cidade de Jisr Al-Shughour, que foi tomada pelas tropas do governo há uma semana, depois que autoridades disseram que mais de cem integrantes das forças de segurança foram mortos por homens armados no local.

O Exército sírio vem invadindo cidades e vilas em diversas regiões do país, enquanto milhares de pessoas realizam protestos pedindo reformas democráticas e a saída de Assad, que está no poder há quase 11 anos.

Testemunhas afirmam que, em suas operações, as tropas do governo atacam civis e residências, deixando um rastro de destruição por onde passam.

Acredita-se que a maior parte dos habitantes do vilarejo já havia abandonado o local antes da chegada das tropas. O governo de Damasco afirma que as forças de segurança continuam perseguindo o que chama de "remanescentes de organizações terroristas armadas" no campo e nos vilarejos do interior.

O regime alega que Jisr Al-Shughour agora é um local seguro, e pede que os refugiados que deixaram o país voltem para a cidade.

Entidades de defesa dos direitos humanos e a ONU afirmam que mais de 1 mil pessoas já morreram na Síria na repressão dos protestos, que começaram em março. Por causa da reação violenta contra os manifestantes, os integrantes do regime sírio já foram alvo de sanções internacionais e críticas de líderes ocidentais.

*Com BBC e AFP

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