Turquia aumenta pressão sobre Síria

País cancela planos de exploração conjunta de petróleo e ameaça cortar envio de eletricidade; premiê diz que Turquia não confia mais em regime de Assad

iG São Paulo |

AP
Primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, fala perante parlamentares em Ancara. Segundo ele, a Turquia não confia mais no regime sírio, de Bashar al-Assad
A Turquia aumentou nesta terça-feira a pressão sobre a vizinha Síria por causa da repressão do regime de Damasco contra os manifestantes do país. O governo do premiê turco, Tayyip Erdogan, cancelou planos de exploração de petróleo com o regime de Bashar al-Assad, ao mesmo tempo em que ameaçou cortar o fornecimento de energia elétrica depois de ataques de partidários de Assad contra suas missões diplomáticas.

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No sábado, uma multidão armada com paus e facas atacou várias missões diplomáticas turcas na Síria e queimou a bandeira da Turquia, desatando a ira do país, que convocou seu encarregado de negócios para protestar pelo incidente.

O ministro da Energia turco, Taner Yildiz, anunciou nesta terça-feira que a Turquia suspendeu planos para que a companhia de petróleo do país, a TPAO, explorasse conjuntamente com a companhia petrolífera estatal síria seis poços no país árabe. Yildiz também advertiu que a Turquia poderia rever os fornecimentos de eletricidade para o país se as tensões continuarem.

"Fornecemos atualmente eletricidade (à Síria). Se essa situação persistir, seremos obrigados a revisar todas essas decisões", declarou Yildiz, citado pela agência de notícias Anatolia.

A Turquia exporta eletricidade à Síria em virtude de um acordo assinado em 2006 entre os dois países, anteriormente aliados regionais. De acordo com uma fonte do Ministério de Energia da Turquia, as companhias do país fornecem à Síria uma média de 2 bilhões de kilowatt/ hora de eletricidade por ano.

O premiê Erdogan criticou Assad pela repressão brutal de seus oponentes e pelos ataques dos partidários do regime contra as missões diplomáticas turcas. Segundo ele, a Turquia perdeu a esperança em relação ao regime sírio, alertando Assad de que sua repressão sangrenta ameaça colocá-lo na lista de líderes que "se alimentam de sangue".

Erdogan também conclamou Assad a punir os responsáveis pelas ações contra as missões diplomáticas turcas. Dirigindo-se desrespeitosamente ao presidente sírio pelo primeiro nome, Erdogan disse: "Bashar, o senhor que tem milhares nas prisões deve encontrar os responsáveis pelo ataque à bandeira turca e puni-los", disse, referindo-se ao fato de a bandeira de seu país ter sido queimada na cidade de Latakia.

O chanceler turco, Ahmet Davutoglu, disse que a Turquia estava "determinada a implementar as sanções mais efetivas que não prejudicarão a população síria".

Os partidários de Assad tentaram invadir as representações diplomáticas turcas no sábado para denunciar a decisão da Liga Árabe de suspender o país da organização em retaliação à repressão ao levante, que já dura oito meses. A Turquia não é membro da Liga, mas celebrou sua decisão.

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O presidente sírio enfrenta o desafio mais severo às quatro décadas de governo de sua família no país, com ex-aliados, assim como nações ocidentais, usando retórica cada vez mais dura para que pare a repressão sangrenta.

Na segunda-feira, o rei Abdullah da Jordânia disse que Assad deveria renunciar pelo bem do país , tornando-se o primeiro líder árabe a fazer publicamente tal pedido. Isso estimulou manifestantes pró-governo a convergir para a embaixada da Jordânia em Damasco, com três deles escalando o muro e arrancando a bandeira da Jordânia - a mais recente em uma série de ataques contra missões diplomáticas do país.

A ONU estima que a repressão do regime contra o levante de oito meses deixou 3,5 mil mortos . Novembro está se tornando o mês mais sangrento da revolta, com 300 mortos até agora.

Só na segunda-feira, a violência deixou quase 90 mortos no país , incluindo 34 em um confronto entre desertores e soldados e forças de segurança do regime que durou mais de quatro horas na segunda-feira na Província de Daraa.

*Com AP, AFP e EFE

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