Ancara impôs congelamento de bens de líderes, suspendeu relações com Banco Central sírio além de banir vendas militares

A Turquia anunciou nesta quarta-feira uma série de sanções econômicas e financeiras à Síria, por conta da violenta repressão do governo de Bashar al-Assad contra os manifestantes que pedem sua saída do poder.

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Chanceler turco Ahmet Davutoglu dá entrevista em Ancara, capital da Turquia
AP
Chanceler turco Ahmet Davutoglu dá entrevista em Ancara, capital da Turquia

O ministro das Relações Exteriores do país, Ahmet Davutoglu, anunciou que os bens de oficiais envolvidos no governo seriam congelados, e suspendeu laços com o banco central sírio, além de banir todas as vendas militares.

A imposição de Ancara acompanha uma série de retaliações feitas pela Liga Árabe , os Estados Unidos e a União Europeia ao país. A Turquia é vizinha da Síria e um dos maiores parceiros comerciais, mas seus líderes têm condenado Damasco por conta de sua violenta campanha para abrandar a revolta que acompanha a tendência do Oriente Médio e do norte da África, chamada de Primavera Árabe .

"Cada bala disparada, cada mesquita bombardeada eliminou a legitimidade da liderança síria e aumentou a lacuna entre nós", disse o chanceler turco em uma coletiva concedida em Ancara. "Síria desperdiçou a sua última chance."

As transações comerciais entre a Turquia e a Síria somaram cerca de US$ 2,4 bilhões no ano passado, de acordo com a embaixada turca em Damasco. As sanções vão atingir uma economia que dá sinais de fraqueza, enquanto Bashar tenta conter a resistência contra seu governo autocrático. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), pelo menos 3,5 mil foram mortos no massacre .

"A Síria precisa imediatamente cessar o uso da força contra os civis e os agentes devem ser retirados das cidades", disse Davutoglu. O chanceler turco anunciou, então, um conjunto de nove sanções, incluindo o banimento de viagens de líderes sírios ao país e congelamento de seus bens. Homens de negócio que apoiam o governo de maneira contundente também sofrerão sanções.

Além disso, "todo o comércio de armas e equipamentos militares através do espaço aéreo, terrestre e marítimo da Turquia será impedido". Ele acrescentou que Ancara estava suspendendo todos os laços com o Banco Central Sírio. Futuros acordos com o Banco Comercial da Síria seriam suspensos, enquanto os já existentes seguirão existindo.

Davutoglu também anunciou a suspensão de um conselho de cooperação política e econômica entre os dois países até que "uma liderança legítima em paz com seu povo alcance o poder na Síria".

A pressão internacional que ameaça a economia na Síria parece não mudar o quadro de violência no país. Nesta quarta-feira, o Observatório Sírio para Direitos Humanos disse que dezenas de tanques entraram no vilarejo de Dael, em Daraa, nesta manhã, e dispararam contra os moradores.

Todas as comunicações no local foram cortadas, inclusive celulares e eletricidade, segundo o grupo de ativistas. Outra coalizão como essa, chamada Comitê de Coordenação Local, também registrou explosões e posicionamento de militares em Dael.

Nessa semana, foi também divulgado um relatório sobre violações de direitos humanos , feito por um painel independente da ONU, liderado pelo diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

Saiba mais: Tropas sírias mataram centenas de crianças, diz relatório da ONU

Segundo o estudo, o mais completo sobre o assunto no país, tropas sírias mataram centenas de crianças e cometeram outros "crimes contra a humanidade" desde o início dos protestos contra o governo.

O relatório afirma que os agentes de segurança usaram força excessiva e "atiraram indiscriminadamente contra manifestantes desarmados" enquanto francoatiradores alvejaram outros na cabeça e no tronco. De acordo com o painel, as forças de segurança sírias cooperando com milícias tiveram ordens de "atirar para matar".

"Esses crimes incluíram assassinatos, tortura, estupro, e outras formas de violência sexual", disse Pinheiro.

Com AP

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