Tunísia liberta ex-premiê da Líbia, diz advogado

Al-Mahmoudi fugiu para a Tunísia logo após a queda de Kadafi e iniciou uma greve de fome em protesto à sua possível extradição

iG São Paulo |

Um tribunal da Tunísia libertou o ex-primeiro-ministro líbio Al-Baghdadi Ali al-Mahmoudi, apesar de um pedido de extradição das autoridades líbias, disse seu advogado nesta quinta-feira. "A corte determinou que ele seja libertado da prisão", disse Mabrouk Korchid à Reuters. Confirmando as informações, uma fonte jurídica disse que al-Mahmoudi agora é um homem livre.

Mahmoudi fugiu da Líbia para a vizinha Tunísia logo depois da queda do governo de Muamar Kadafi , em agosto, e iniciou uma greve de fome em protesto à sua possível extradição. Em uma entrevista nesse mês à Reuters, intermediada por seu advogado, Mahmoudi disse que não esteve envolvido na repressão durante os 42 anos de governo de Kadafi e que queria cooperar com o governo interino da Líbia.

Al-Mahmoudi, primeiro-ministro líbio desde 2006, era o membro de mais alto cargo do governo de Kadafi preso. Durante a guerra civil desse ano, ele se pronunciou em comunicados televisionados defendendo Kadafi e acusando a Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) de matar civis deliberadamente.

Korchid argumentou durante o julgamento que a vida de Mahmoudi estaria em perigo se a Tunísia o enviasse de volta à Líbia.

Kadafi e seu filho Mutassim morreram na quinta-feira passada , em Sirte, depois de caírem nas mãos de combatentes do governo de transição, incitando grupos de direitos humanos a levantar questões sobre Justiça na Líbia. O tribunal ordenou a libertação de Mahmoudi em setembro, depois que ele foi preso pela entrada ilegal no país . Mas ele permaneceu detido por conta de um pedido das autoridades pós-Kadafi.

Otan

Nesta quinta, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução que põe fim em 31 de outubro ao mandato que permitiu impor uma zona de exclusão aérea e autorizou uma operação da Otan para proteger os civis no país.

A medida foi aprovada em 17 de março em resposta a um pedido da Liga Árabe para tentar barrar as forças leais a Kadafi que avançavam contra os rebeldes e seus partidários civis. A campanha de bombardeios da Otan que se seguiu foi crítica para ajudar os rebeldes a depor Kadafi em agosto. A Aliança Atlântica disse que analisa novas formas de ajudar o Conselho Nacional de Transição (CNT), que solicitou uma prorrogação do mandato da aliança .

A resolução foi adotada pelo conselho um dia depois de o vice-embaixador da Líbia na ONU, Ibrahim Dabbashi, ter pedido que os membros esperassem até que o governo interino líbio fizesse um pedido formal sobre a questão. Mas o órgão mais poderoso da ONU decidiu que não há necessidade para uma ação militar autorizada pela organização depois da morte de Kadafi e da libertação oficial do país .

Na semana passada, a Otan anunciou planos preliminares de pôr fim à sua missão em 31 de outubro. Mas, inesperadamente na quarta-feira, adiou sua decisão, dizendo que o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen precisava continuar consultando a ONU e o CNT. O corpo diretor da Otan se reunirá na sexta-feira em Bruxelas para declarar formalmente o fim de sua missão de sete meses.

A resolução 2016 do Conselho de Segurança também flexibilizou o embargo de armas que pesa sobre a Líbia, de modo que o CNT possa adquirir armamento e equipamentos para sua segurança nacional.

Imagens de suposto funeral

A decisão do Conselho de Segurança foi tomada no mesmo dia em que a emissora Alaan, dos Emirados Árabes, exibiu imagens do que pareciam ser os preparativos do funeral do ex-líder líbio , de seu filho Mutassim e do seu ministro da Defesa, Abu-Baker Yunis, na localidade líbia de Misrata. Os três foram enterrados na terça-feira .

Um vídeo publicado no site do canal mostra três caixões de madeira sem tampa, nos quais apareciam os três corpos envolvidos em mortalhas e com os rostos descobertos antes de serem supostamente enterrados há dois dias.

Assista ao vídeo sem áudio veiculado no YouTube do suposto funeral:

Os féretros aparecem no chão, observados por cerca de 20 homens, alguns vestidos com turbante e túnica e outros com uniforme militar, diante de um edifício com as luzes acesas. Segundo a emissora, entre os presentes há membros do Conselho Local de Misrata, um primo e um motorista de Kadafi, dois filhos de Yunis e três seguidores do ex-líder líbio.

O apresentador do canal Alaan acrescentou que os três corpos foram enterrados em um local desconhecido no meio do deserto, em uma cerimônia só assistida pelo primo e o motorista de Kadafi.

Em resposta aos apelos por uma investigação, a nova liderança líbia afirmou nesta quinta-feira que encaminhará à Justiça os assassinos do ex-ditador, morto em circunstâncias ainda não esclarecidas. O novo poder líbio afirma que a morte aconteceu durante uma troca de tiros , enquanto várias fontes indicam que houve uma execução sumária.

Leia também: Saiba os relatos que indicam os últimos momentos de Kadafi

"Já abrimos uma investigação. Determinamos um código de ética em relação ao tratamento dado aos prisioneiros de guerra. Tenho certeza de que esse foi um ato individual e não uma ação revolucionária ou do Exército nacional", disse o vice-presidente do CNT, Abdel Hafiz Ghoga. "O responsável (pela morte de Kadafi), quem quer que seja, será julgado e receberá o que for justo", assegurou.

Fuga do filho e chefe de inteligência

Também nesta quinta-feira, um conselheiro presidencial do Níger disse que o chefe de inteligência de Kadafi, Abdullah al-Senusi, chegou durante a madrugada à região de Kidal, no Mali, depois de cruzar o deserto do Níger. Além disso, afirmou que Saif al-Islam, filho considerado herdeiro político de Kadafi , está a caminho.

O conselheiro falou sob condição de anonimato da cidade de Agadez, onde anciões tuaregues mantiveram encontros durante a noite para discutir como lidar com a questão. Senusi e Saif são os dois membros remanescentes do regime de Kadafi que são procurados pelo Tribunal Penal Internacional .

De acordo com o conselheiro, Senusi foi escoltado através das dunas por tuaregues do Mali, e está em um acampamento no deserto no norte do país. Espera-se que o filho de Kadafi siga a mesma rota. Os tuaregues participaram das forças de segurança de Kadafi.

"Senusi está no norte de Mali, uma região quase impossível de controlar, onde conta com a proteção dos tuaregues que combateram os rebeldes líbios ao lado das brigadas kadafistas", explicaram fontes militares em Niamey, capital do Níger.

Saif é o único membro da família de Kadafi cujo paradeiro ainda é desconhecido. A mulher do líder deposto, assim como três de seus filhos - Aisha, Muhammad e Hannibal - fugiram para a Argélia em agosto. Saadi, outro filho de Kadafi, abrigou-se em setembro no Níger . A Interpol emitiu um mandado de prisão contra ele a pedido do CNT.

Com Reuters, EFE, AP e AFP

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