Tunísia estende estado de emergência e levanta toque de recolher

Medidas foram impostas durante protestos antigoverno; Tunísia aceita ajuda técnica da Itália para conter onda de imigrantes

iG São Paulo |

O Ministério do Interior da Tunísia estendeu o estado de emergência nesta terça-feira, mas revogou um toque de recolher noturno imposto no auge dos protestos que levaram à queda do presidente , no mês passado.

"O estado de emergência vai continuar até aviso em contrário. O ministério também anunciou que o toque de recolher foi suspenso em todo o país", informou um comunicado do Ministério do Interior, segundo a agência de notícias oficial TAP.

O toque de recolher e o estado de emergência foram impostos em 14 de janeiro, algumas horas antes de uma onda de protestos populares forçar o presidente Zine el-Abidine Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita.

O governo interino que assumiu o poder após a queda de Ben Ali manteve as medidas de emergência para ajudar a conter uma explosão de violência e anarquia nas semanas seguintes.

Desde então a estabilidade vem retornando ao país aos poucos, embora ainda ocorram incidentes ocasionais de violência e protestos.

O setor de turismo, uma das maiores fontes de renda do país mediterrâneo, vinha pressionando o governo a revogar o toque de recolher, dizendo que a restrição afastaria turistas do país.

Imigração para a Itália

A Tunísia aceitou nesta terça-feira ajuda técnica da Itália para conter a onda de migrantes ilegais que tem chegado a uma ilha italiana desde que os tunisianos derrubaram seu presidente.

A União Europeia estima que 5,5 mil tunisianos chegaram clandestinamente nos últimos dias à ilha de Lampedusa, numa situação que o governo italiano qualificou de emergência humanitária e atribuiu à turbulência dentro da Tunísia.

AFP
Imigrantes da Tunísia cque chegaram a Lampedusa são vistos no centro da ilha italiana

Há anos governos europeus se valem de medidas duras por parte das ditaduras do Norte da África para evitar a migração ilegal. A queda de Ben Ali e a subsequente desordem nas forças de segurança tunisianas alteraram esse estado de coisas. 

O chanceler italiano, Franco Frattini, foi a Túnis discutir o assunto e, após reunião com o primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi, disse que os dois países definiram um marco de cooperação migratória que "respeita a soberania da Tunísia."

Segundo a agência tunisiana de notícias TAP, Frattini prometeu radares e lanchas para serem operados pelos tunisianos.

Os dois lados parecem também ter superado o incidente diplomático surgido depois que o ministro italiano do Interior sugeriu que Roma poderia enviar sua polícia à Tunísia, o que levou o governo do país africano a apontar uma violação da sua soberania.

Desde que Ben Ali fugiu do país, o governo provisório se empenha em recuperar a estabilidade. Mas a polícia se dissolveu em muitos lugares, e greves e protestos no país inteiro continuam prejudicando a economia.

Nesta semana, o governo mobilizou militares em trechos do litoral de onde os migrantes saem em balsas improvisadas e superlotadas com direção à ilha de Lampedusa, que fica na costa africana.

A comissária europeia de Assuntos Internos, Cecilia Malmstrom, disse em discurso que o número de pessoas chegando à Itália caiu nas últimas 24 horas. "Estamos preparados para ajudar a Itália e a Tunísia. Trata-se de uma questão de grande importância para a UE."

*Com Reuters e EFE

    Leia tudo sobre: tunísiamundo árabeben aliestado de emergência

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG