Tropas sírias aumentam controle diante de protestos contra Assad

Na cidade de Deraa, tanques patrulharam ruas; tropas invadiram subúrbio da capital Damasco

Reuters |

Tropas da Síria aumentaram o controle sobre os principais focos de protestos contra o presidente Bashar al-Assad nesta quarta-feira. Ele enfrenta crescente pressão internacional para acabar com a violência que, de acordo com grupos de direitos humanos, matou mais de 450 pessoas.

Tanques patrulhavam a cidade de Deraa, local onde o levante contra Assad começou há seis semanas. Tropas invadiram durante a noite o subúrbio de Damasco chamado Douma e forças de segurança cercaram a cidade costeira de Banias.

AFP
Vídeo divulgado no YouTube mostra tanque das forças sírias na cidade de Daraa
A Alemanha disse, nesta quarta-feira, que apoia fortemente sanções da União Europeia contra a liderança da Síria, e o órgão executivo do grupo, a Comissão Europeia, disse que todas as opções estão disponíveis para medidas de punição contra Damasco.

A França determinou a retirada de seu embaixador na Síria para protestar contra a violência. Inglaterra, Espanha e Alemanha estão fazendo o mesmo. "As autoridades da Síria precisam atender as demandas legítimas do seu povo com reformas, não usando força", disse o ministro das Relações Exteriores francês Bernard Valero.

nullOs Estados Unidos, que impuseram um embargo econômico limitado contra a Síria em 2004, disseram que estão considerando outras sanções em resposta à "abominável e deplorável" violência perpetrada pelas forças de segurança contra os manifestantes.

Uma testemunha disse à Reuters que um comboio com pelo menos 30 tanques do Exército foram vistos no início desta quarta na direção do sudoeste de Damasco, próximo da Colinas de Golã na fronteira com Israel, em uma direção que poderia ir tanto para Douma quanto para Deraa.

Durante a noite, ônibus brancos trouxeram centenas de soldados em uniforme completo de combate para Douma, local onde os manifestantes tentaram marchar para o centro da capital nas últimas duas semanas, apenas para serem parados por balas.

O Observatório Síro para os Direitos Humanos disse que tem os nomes de pelo menos 453 civis mortos durante os protestos que varreram o país pedindo a saída de Assad, no comando do país há 11 anos.

Família Assad

A Síria é dominada pela família Assad desde que o pai do atual presidente, o falecido Hafez al-Assad, assumiu o poder em um golpe de Estado nos anos 1970. O jovem Assad manteve intacto o sistema político autocrático que ele herdou em 2000, enquanto a sua família aumentou o seu controle sobre a economia em dificuldades no país.

A agitação política poderia ter sérias repercussões regionais já que a Síria está em área delicada e em conflito permanente no Oriente Médio.

Um morador de Deraa, onde a eletricidade, água e linhas telefônicas foram cortadas quando o Exército passou pela cidade na segunda, disse que a comida está acabando e que as mercearias e mercados estão dando os seus produtos de graça. "Eles estão distribuindo para nós principalmente comida enlatada", disse ele por telefone.

A Síria culpou grupos armados pela violência. Manifestantes dizem que os seus protestos foram pacíficos e as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes desarmados.

A crítica internacional da resposta de Assad aos protestos foi, inicialmente, muda, mas aumentou com a morte de 100 manifestantes na sexta e a decisão de Assad de atacar Deraa, o que traz ecos com a decisão do seu pai feita em 1982 de atacar muçulmanos em Hama.

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