Tropas de Kadafi mantém ataques a Misrata

Região de Jebel Nafusa contabiliza 110 mortos em dois dias, segundo fontes rebeldes

EFE |

As forças leais ao coronel Muammar Kadafi mantiveram nesta terça-feira os ataques contra as posições dos rebeldes na cidade de Misrata, alvo do regime há dois meses, enquanto a região de Jebel Nafusa contabiliza 110 mortos em dois dias, vítimas dos bombardeios. Se Misrata - a terceira cidade mais importante da Líbia - representa o atual ponto candente da guerra no país, as atenções se desviaram nesta terça-feira de forma repentina para o sudoeste do país, onde recrudesceram os enfrentamentos na região.

Segundo as emissoras de televisão árabes, que citam fontes dos rebeldes, as tropas pró-Kadafi bombardearam nos últimos dias a região de Jebel Nafusa, tendo como alvos principais as cidades de Lanout e Yefren.

Entre os 110 mortos nessa região, há civis e combatentes rebeldes. O número de feridos ainda não pôde ser determinado.

Fontes de hospitais citadas pela rede de televisão "Al Jazeera" sustentam que, além dos explosivos tradicionais, os homens de Kadafi continuam lançando bombas de fragmentação - proibidas pela comunidade internacional. Segundo as fontes, o aspecto dos ferimentos dos pacientes prova o uso dessas bombas.

Já a emissora "Al Arabiya" informa que as forças leais a Kadafi bombardearam a estrada que conduz às fronteiras e que as explosões e colunas de fumaça puderam ser observadas da região de Ras Jedir, posto fronteiriço entre Líbia e Tunísia.

A deterioração da situação humanitária no sudoeste líbio provocou a fuga em massa dos habitantes da região. Segundo a agência de notícias tunisiana "TAP", o fluxo de refugiados em direção a Ras Jedir foi de grandes proporções nos últimos dias.

Na segunda-feira, dos 2.233 refugiados que atravessaram a fronteira, 1.696 eram cidadãos líbios, segundo as fontes.

As mesmas fontes indicam que essas pessoas fugiram da violência e dos bombardeios intensivos "que destruíram inúmeros edifícios" e assinalam que, no decorrer de uma semana, 11 mil pessoas chegaram a este posto fronteiriço.

Mais ao oeste em Misrata, os combates e bombardeios se mantêm na ameaça periódica contra a população local. Segundo um médico italiano entrevistado pela "Al Jazeera" no hospital da cidade, oito pessoas morreram por disparos ou pela explosão das bombas.

Após constatar as enormes dificuldades existentes para socorrer as vítimas, diante da falta de pessoal e de equipamentos no hospital, o médico italiano assinala que, em média, 70 pessoas são internadas diariamente para tratar os ferimentos.

Fontes dos rebeldes disseram que, nesta segunda-feira, 25 pessoas morreram, das quais 15 caíram na tentativa de controlar a avenida Trípoli, principal via da localidade, onde se mobilizaram dezenas de francoatiradores pró-Kadafi.

No entanto, apesar da situação angustiante, a ajuda humanitária conseguiu se organizar. Um navio fretado pelo Catar evacuou de Misrata mais de mil pessoas, levando-as ao porto oriental de Tobruk.

As autoridades de Trípoli confirmaram nesta terça-feira, segundo a agência de notícias oficial "Jana", que aceitaram a abertura de um escritório da ONU para prestar ajuda à população civil de Misrata, garantindo a segurança do pessoal humanitário e facilitando corredores de abastecimento de ajuda.

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