Tropas de Kadafi aumentam ofensiva contra rebeldes em Misrata

Segundo fontes médicas, ao menos 22 morreram e 61 ficaram feridos em bombardeios perto de cidade controlada por opositores

iG São Paulo |

Forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, aumentaram a ofensiva contra a região de Misrata, cidade controlada por rebeldes, matando ao menos 22 pessoas.

De acordo com uma fonte médica do Hospital Hikma, forças de Kadafi usaram tanques, artilharia pesada e foguetes em bombardeios em Dafniya, cerca de 30 km a oeste de Misrata. Segundo o médico, que se identificou apenas como Ayman à Associated Press, ao menos 61 pessoas foram feridas nos ataques que tiveram início por volta das 10h locais.

AP
Rebeldes líbios se preparam para combate no sul de Misrata, na Líbia (9/6/2011)
Em meados de maio, os rebeldes conseguiram expulsar as tropas de Kadafi do centro de Misrata, intensamente assediada desde o início do conflito líbio, no fim de fevereiro. Desde então, combatentes leais a Kadafi se mantêm a cerca de dez quilômetros da cidade e continuam bombardeando seus arredores com mísseis de longo alcance.

Misrata, situada no litoral a cerca de 200 quilômetros a leste de Trípoli, é um dos principais redutos rebeldes no país. O contínuo assédio das tropas de Kadafi durante meses complicou a situação humanitária na cidade, onde faltam remédios e alimentos.

No fim do mês passado, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) detectou um campo de minas instalado pelo regime de Kadafi nas proximidades de Misrata. De acordo com o tenente-general canadense Charles Bouchard, chefe da missão militar na Líbia, um relatório da Aliança Ocidental indicou que foram instaladas minas “contrárias à lei internacional, colocadas em uma área estratégica impedindo a movimentação da população".

O chefe militar garantiu que a Otan está trabalhando para definir o contorno do campo de minas, mas admitiu que a tarefa de desativar os artefatos não corresponde ao mandato da aliança. A Otan assumiu o trabalho de desativar as minas marítimas, mas pelo fato de não possuir soldados no território não pode fazer o mesmo no caso das terrestres.

ONU

Desde o início do conflito na Líbia, um número estimado de 10 mil a 15 mil pessoas já morreram nos dois lados do confronto em quatro meses, segundo a Organização das Nações Unidas.

De acordo com Cherif Bassiouni, líder de uma missão do Conselho de Direitos Humanos da ONU que viajou a Trípoli e a áreas controladas pelas forças rebeldes no fim de abril, uma comissão encontrou evidências de crimes de guerra cometidos por Kadafi, incluindo ataques contra civis, grupos de ajuda humanitária e equipes médicas. A comissão também encontrou provas de crimes cometidos por forças da oposição.

Nesta sexta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates , que deixa seu posto no governo Obama em breve, afirmou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) tornou-se uma Aliança pobremente equipada para lidar com seus desafios e com membros incapazes ou relutantes em cumprir com as missões no Afeganistão e na Líbia.

Particularmente, ele apontou um contraste entre os membros que "querem e são capazes de pagar o preço e aguentar o fardo dos compromissos da Aliança e aqueles que usufruem dos benefícios da participar da Otan, mas não querem compartilhar os riscos e custos".

Gates criticou a falta de vontade política e de contribuição de recursos militares por parte de alguns países aliados à missão na Líbia, advertindo que podem comprometer a operação. "Ficou amplamente claro que as deficiências em cooperação e vontade política têm o potencial de comprometer a capacidade da Aliança de efetuar uma campanha integrada, eficaz e sustentada por ar e mar", afirmou.

*Com AP

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