Trinta e dois partidários de Kadafi estão no Níger, diz premiê

País africano recebeu filho do líder deposto, além de três generais; rede de televisão síria garante que Kadafi está na Líbia

iG São Paulo |

AFP
Saadi estaria em um comboio com direção a Niamey (31/1/2010)
O primeiro-ministro da Nigéria, Brigi Rafini, afirmou nesta segunda-feira que 32 partidários do ex-líder líbio Muamar Kadafi chegaram a Níger desde o dia 2 de setembro. "São 32 pessoas no total que temos aqui, entre elas, Saadi, um dos filhos de Kadafi, além de três generais", afirmou Rafini, atualizando a informação para diplomatas estrangeiros em Niamey.

De acordo com Rafini, esses partidários entraram em quatro grupos e foram "recebidas" no Níger por "razões humanitárias". O último grupo, composto por Saadi e outras oito pessoas ligadas ao seu pai, foi "interceptado" no domingo no norte do país pelas forças de defesa e de segurança nigerinas.

Fontes indicaram que Saadi ainda está em alguma parte no deserto. O ministro da Justiça declarou no domingo que o filho de Kadafi está em um comboio em direção à capital, Niamey .

Na sexta-feira, o governo do Níger, que reconheceu oficialmente o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, disse que a nação africana respeitaria seus compromissos para com o Tribunal Penal Internacional (TPI) se Kadafi ou seus filhos entrassem no país.O TPI emitiu ordens de prisão contra Kadafi, seu filho Saif al-Islam e contra Abdullah al Senusi, chefe da inteligência militar do regime.

"Pelo que sabemos, entre as 32 pessoas presentes em Níger, nenhuma é alvo de mandado de prisão ou de busca pelas instâncias (judiciais) internacionais", assegurou nesta segunda Rafini.

Segundo o governo, os militares de alta patente presentes no país são o general Al-Rifi Ali al-Sharif, chefe da Aeronátutica líbia antes da queda do regime, o general Ali Khana, chefe da guarda de Kadhafi e das forças líbias de Obari, localizada ao sul da Líbia, e o general Mahammed Abydalkarem, comandante da região militar de Murzuk, extremo sul da Líbia.

No dia 31 de agosto, Saadi se disse preparado para se render para "parar com o derramamento de sangue" na Líbia. A rebelião, que tomou o poder depois, havia afirmado que sua segurança seria respeitada. "Se minha rendição parar com o derramamento de sangue, estou preparado para me render esta noite", disse Saadi Kadafi à rede Al-Arabiya.

A mulher de Kadafi, Saifa, e seus filhos Hannibal e Muhammad buscaram refúgio na Argélia . A filha Aisha também está no país vizinho, onde deu à luz um dia após sua fuga.

Também nesta segunda-feira, uma estação de TV com sede na Síria que transmitiu mensagens de Kadafi no passado disse que ele ainda está na Líbia , mas não pode aparecer na televisão por questões de segurança.

"Isso destinava-se a mostrar o líder entre seus combatentes e seu povo, liderando a luta a partir de território líbio, e não da Venezuela ou de Níger ou de qualquer outro lugar", disse Mishan Jabouri, proprietário do canal Arrai, aos telespectadores.

Ele leu um texto segundo o qual Kadafi diz: "não podemos abrir mão da Líbia para a colonização mais uma vez... Não há mais nada a fazer a não ser lutar até a vitória."

Conflitos

Na Líbia, os conflitos entre os rebeldes e as tropas pró-Kadafi seguem, enquanto os representantes do CNT desejam tomar o controle de redutos do ex-líder. Nesta segunda, um ataque realizado pelas forças aliadas a Kadafi em Ras Lanuf, no leste do país, deixou pelo menos 15 mortos e dois gravemente feridos.

Reuters
Homens se aproximam de caminhão das forças pró-Kadafi, que foi queimado por tropas do CNT, depois de um conflito em Ras Lanuf

De acordo com a emissora Al Jazeera, veículos que vinham do deserto apareceram em um posto de controle do complexo petrolífero de Ras Lanuf e atacaram os milicianos que o vigiavam, embora não tenha sido informado se todas as vítimas eram combatentes. Um dos maiores problemas dos rebeldes para manter a segurança e garantir o controle do território é a dificuldade de identificar os grupos armados no conflito que afeta o país desde 17 de fevereiro.

Segundo as emissoras via satélite árabes, as forças aliadas de Kadafi pretendiam cercar a companhia petrolífera, embora os rebeldes garantam que as mantêm encurraladas perto da região industrial

Duas semanas após a tomada de Trípoli , a maior parte da Líbia está sob controle do CNT, que comanda as forças rebeldes. Há, no entanto, focos de resistência. Forças leais a Kadafi ainda tomam conta das cidades de Bani Walid, Sabha e Sirte, agora sitiadas pelos rebeldes.

No sábado, antes de vencer o ultimato dado pelo CNT para a rendição de Bani Walid, as tropas de oposição deram início a uma ação militar contra a cidade . Os combatentes anti-Kadafi estimaram que em poucas horas tomariam o centro da cidade, mas encontraram muito mais resistência do que o esperado inicialmente .

* Com AFP, EFE e Reuters

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