Trabalhadores protestam e Exército egípcio pede fim de greves

Após manifestações contra o governo, egípcios saem às ruas para exigir melhores condições de trabalho

iG São Paulo |

Grupos de manifestantes egípcios começaram a retornar nesta segunda-feira à praça Tahir, no Cairo, horas após o Exército ter esvaziado o local , que tem sido centro dos protestos no país contra o ex-presidente do país Hosni Mubarak. Mas, agora, os protestos passaram a incluir reivindicações trabalhistas.

Cerca de dois mil empregados de empresas públicas e privadas, entre policiais, bancários, funcionários da indústria do turismo e do transporte, se dirigiram ao local para exigir melhores condições de trabalho e, ao mesmo tempo, mostrar solidariedade com os protestos antigoverno. Outras manifestações aconteceram em frente à sede da TV estatal e em atrações turísticas da capital.

Diante das novas manifestações, o Exército pediu por meio de um comunicado divulgado pela TV estatal que os trabalhadores egípcios ajudem a recuperar a economia do país, evitando greves.

Um porta-voz militar disse que "as greves, neste momento delicado, levam a resultados negativos" e pediu para que os "cidadãos e sindicatos desempenhem suas obrigações". Segundo o governo, o Egito perdeu mais de US$ 6 bilhões durante os 18 dias de protestos, que paralisou o turismo e outros setores da economia.

De acordo com a emissora de TV estatal do país, os militares tiveram que se reunir nesta segunda-feira com outras categorias profissionais para impedir greves que exigem, entre outre outras reivindicações, melhores salários e a remoção de chefes ligados ao partido político de Mubarak, o Partido Nacional Democrático (PND).

O governo já havia anunciado que sua prioridade era restabelecer a segurança no país e reativar a economia. Mas jornais egípcios falaram em novas greves de outras categorias profissionais de servidores públicos, como os de ferroviários, mídia e correios.

Polícia

Perto da praça, policiais fizeram um protesto após uma passeata. Alguns deles carregavam fotos de colegas supostamente mortos nos confrontos com manifestantes, em que dezenas de pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas. Um cartaz carregava a frase: "Estas também são vítimas do regime".

No domingo, a polícia egípcia também foi às ruas para protestar por melhores salários, benefícios, redução na jornada de trabalho e que houvesse mais respeito à instituição. Centenas de oficiais, policiais de menor patente e pessoal administrativo da polícia marcharam até o Ministério do Interior, onde foram impedidos pelo Exército de entrar no prédio.

Segundo eles, um oficial da polícia ganha cerca de US$ 85 por mês e trabalha entre 12 a 15 horas por dia. Eles disseram que eram ameaçados de prisão caso se recusassem a trabalhar fora do horário, alem de pagar por transporte para ir ao trabalho. Oficiais do Exército também tiveram que intervir para que a polícia encerrasse o protesto.

Em seu protesto nesta segunda, os policiais acusaram oficiais de alto escalão de manchar a corporação. Eles também alegaram que foram obrigados a reprimir as manifestações antigoverno sob pena de prisão.

Praça vazia

Grande parte dos manifestantes tinha deixado a praça no domingo, após o Conselho Militar ter dissolvido o Parlamento e suspendido a Constituição do país. Nesta segunda-feira, o Exército deu um ultimato a centenas de ativistas que continuavam na praça, ameaçando prender aqueles que não deixassem o local. Enquanto os militares retiravam os manifestantes, houve trocas de empurrões e algumas detenções.

Em comunicado transmitido pela TV, o Comando Militar que assumiu o poder no país anunciou que ficará no poder por seis meses ou até a realização de eleições.

No pronunciamento, o Comando Militar declarou ainda que irá formar um comitê para elaborar uma nova Constituição, que será depois submetida a um referendo popular. O presidente Hosni Mubarak, que estava no poder desde 1981, renunciou na sexta-feira após 18 dias de protestos populares.

Os militares declararam feriado bancário nesta segunda-feira em uma tentativa de organizar o retorno do país à normalidade após quase três semanas de protestos e paralisações.

Transição

A Constituição egípcia, suspensa no domingo, proibia muitos grupos e partidos de participar em eleições, deixando o Egito na prática com um Parlamento dominado pelos apoiadores do Partido Nacional Democrata (PND), de Mubarak. Durante a transição, o gabinete de ministros indicado por Mubarak no mês passado, após o início dos protestos, seguirá governando, mas terá que submeter as decisões ao conselho militar para aprovação.

O opositor Ayman Nour, que concorreu contra Mubarak nas eleições presidenciais de 2005, descreveu as medidas anunciadas pelos militares como "uma vitória da revolução". O primeiro-ministro Ahmed Shafiq disse que sua principal prioridade é restaurar a segurança no país.

Com Reuters e BBC

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