TPI emite ordem de prisão contra Kadafi, seu filho e cunhado

Depois do sudanês Omar al-Bashir, líder líbio é o segundo chefe de Estado a ter determinada sua prisão pela corte penal

iG São Paulo |

Reuters
Iamgem de TV mostra Kadafi jogando partida de xadrez em 12/06, quando reafirmou não ter intenção de deixar a Líbia
Durante uma audiência pública em Haia, os juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiram nesta segunda-feira mandados de prisão contra o líder líbio, Muamar Kadafi, seu segundo filho, Saif al-Islam, e seu cunhado Abdullah al Senusi, que também é chefe da inteligência militar do regime. Depois do sudanês Omar al-Bashir, Kadafi é o segundo chefe de Estado a ter determinada sua prisão pela corte penal.

"Pela presente, a câmara emite uma ordem de prisão contra Muamar Kadafi", declarou a juíza Sanji Mmasenono Monageng, durante uma audiência do TPI, com sede em Haia.

Os EUA reagiram à decisão do tribubal afirmando que o pedido de prisão é mais uma prova de que Kadafi, que está há 41 anos no poder perdeu sua legitimidade. Já a Itália afirmou que a medida legitima a missão militar que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tem realizado na Líbia há 100 dias.

Em uma audiência pública, os juízes do TPI afirmaram que a Procuradoria apresentou provas suficientes para que fosse emitido o mandado de prisão de Kadafi e pessoas de seu entorno, acusados de crimes contra a humanidade supostamente cometidos na Líbia desde fevereiro, durante as revoltas no país.

Em 16 de maio, o procurador Luis Moreno-Ocampo pediu aos juízes que emitissem ordens de prisão contra o coronel Kadafi, seu filho Saif al-Islam e o diretor do serviço secreto líbio, Abdullah al-Senusi.

Os três são suspeitos de homicídios e de perseguições, que constituem crimes contra a humanidade cometidos pelas forças de segurança contra a população civil líbia desde 15 de fevereiro, sobretudo nas cidades de Trípoli, Benghazi e Misrata.

As autoridades líbias disseram previamente que não reconhecem o tribunal e que não estavam preocupados com a eventual emissão de mandados de prisão.

A revolta na Líbia provocou milhares de mortes, segundo o procurador do TPI, e resultou na fuga para o exterior de quase 650 mil líbios e o deslocamento dentro do país de outros 243 mil, de acordo com a ONU.

Avanço rebelde

O anúncio do TPI veio pouco após forças rebeldes na Líbia terem dito que conquistaram novas posições e estavam a cerca de 50 km da capital do país, Trípoli. Um porta-voz dos rebeldes disse que houve confrontos violentos nas imediações da cidade de Bair-al-Ghanam, a sudoeste da capital, no domingo.

O ministro de Defesa do Conselho Nacional de Transição, Jalal el- Dighaily, disse à BBC que forças opostas ao líder líbio, Muamar Kadafi, podem também tentar entrar na capital pelo leste. Segundo relatos da agência de notícias líbia, também houve novos ataques da Otan contra alvos em Trípoli.

Na capital do país, um porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse que Kadafi continua no controle do poder no país.

Resistência

Segundo um correspondente da BBC, que acompanha os rebeldes, disse que eles parecem estar consolidando suas posições, cada vez mais próximas da capital. No entanto, eles vêm enfrentando forte resistência de forças leais ao regime de Kadafi.

Antes dos novos avanços, quando os rebeldes lutavam a 80 km da capital , o porta-voz rebelde disse à agência de notícias Associated Press que a captura da cidade de Bir al-Ghanam seria um passo importante para uma futura invasão de Trípoli.

O ministro da Defesa dos rebeldes, Jalal al-Dgheli, disse à BBC que uma invasão pelo leste pode ocorrer nos próximos dias, apesar de muitos preferirem lançar um operação a partir das montanhas ocidentais do outro lado da cidade.

"Os desertores do regime nos dizem que o número de pessoas que apoiam Kadafi é cada vez menor, os que estavam próximos a ele o abandonam e seu círculo diminui diariamente", disse Al-Dgheli.

*Com EFE, AFP e BBC

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