Tanques entraram em cidade síria durante protesto, dizem ativistas

Chefe da Liga Árabe considera que país está se encaminhando para uma guerra civil, enquanto milhares vão às ruas apoiar desertores

iG São Paulo |

Autoridades da Síria enviaram tropas e tanques para a cidade de Zabadani, próximo a fronteira do Líbano, após grandes protestos terem sido realizados no local contra o regime do presidente Bashar al-Assad, informaram ativistas à rede BBC nesta sexta-feira.

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Reuters
Antes da entrada dos tanques, crianças protestavam contra Assad em Zabadani, Síria

De acordo com o relato de grupos opositores, o Exército bombardeou a cidade, mas encontrou resistência. Nesta sexta-feira, milhares de manifestantes fizeram marchas pela Síria em apoio ao Exército da Síria Livre, grupo de desertores que tentam derrubar Assad do poder.

Segundo grupos ativistas, ao menos 10 pessoas foram mortas durante a repressão às marchas.

Kamal al-Labwani, um opositor da cidade de Zabadani que foi para a Jordânia há duas semanas, disse que as comunicações no local foram cortadas, mas que conseguiu falar com muitas pessoas na cidade.

"Os tanques estão bombardeando a cidade e entraram em seus arredores, mas estão encontrando resistência", disse ele à agência Reuters. "O Exército Livre da Síria tem uma forte presença nessa área".

Os Comitês de Coordenação Locais, um grupo ativista que organiza os protestos e os relatórios, disse que a região próxima a cidade de Madaya também sofreu ataques, e muitas pessoas estavam feridas.

Não é possível verificar esses fatos, porque o governo sírio proibiu a maior parte da mídia estrangeira de entrar no país, com exceção de uma pequena delegação autorizada pelo governo.

O chefe da Liga Árabe alertou nesta sexta-feira que a Síria pode estar se encaminhando para uma guerra civil, uma vez que as forças de segurança atiraram contra centenas de pessoas que estavam nas ruas protestando.

Também nesta sexta, um grupo ativista afirmou que dois jornalistas estrangeiros e um tradutor foram detidos por poucos instantes próximo à capital síria, Damasco. Os Comitês de Coordenação Locais não tinham mais informações, porém a emissora canadense CBC afirmou depois que um de seus repórteres foi detido por um breve momento em um posto de controle, mas depois foi liberado.

Durante os dez meses de revolta contra o governo do país, a maior parte do derramamento de sangue ocorreu devido a repressão dos agentes de segurança contra manifestantes desarmados. Porém, nos últimos meses, soldados que desertaram do Exército têm atacado os militares e alguns membros da oposição têm pego em armas contra o regime, aumentando a violência.

Porém, Assad aparenta manter-se firme no poder, apesar da crescente pressão internacional de que ele detenha sua ofensiva e deixe a liderança do governo.

O chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby, afirmou à Associated Press que o regime de Assad não estava cumprindo ou cumpria parcialmente o acordo firmado com a Liga Árabe no mês passado, com o objetivo de por fim à violência.

"Nós estamos preocupados, porque há certos compromissos com os quais ele não cumpriu", disse ele no Cairo, onde fica a base da Liga Árabe. "Se isso continuar, pode virar uma guerra civil."

A ONU, que já classificou o conflito como uma guerra civil, estima que ao menos 5 mil foram mortos desde o início da revolta, em março.

O premiê britânico David Cameron qualificou a violência na Síria como terrível e pediu que o governo da Rússia reconsidere sua postura em relação ao apoio a alguém "que se transformou em um ditador".

A Rússia, tradicional aliada da Síria, vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando o regime de Assad e ameaçando o país com sanções. "A Liga Árabe inteira está unida e diz que é inaceitável e os outros precisam ouvir e agir na ONU. O Reino Unido está pronto para isso", disse Cameron.

AP
Imagem de vídeo amador mostra protesto em apoio aos desertores do Exército em Daraa, na Síria

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) mais de 20 mil pessoas foram às ruas protestar nesta sexta-feira na província e Idlib. Agentes da segurança atiraram contra manifestantes também na província de Daraa, na região de Deir el-Zour e na província central de Homs. Segundo o OSDH, dez morreram, enquanto os Comitês afirmam que esse número passa de 12.

O plano da Liga Árabe previa a remoção das forças da Síria e os tanques das ruas das cidades, a abertura do diálogo com líderes da oposição e a permissão de entrada para entidades dos direitos humanos e de jornalistas no país.

A missão observadora da Liga Árabe entrou no país no dia 26 de dezembro e iniciou seu trabalho no dia seguinte, para verificar se o governo sírio estava de fato cumprindo com o acordo.

O trabalho dos observadores foi cercado de dúvidas quanto à sua independência. Nessa semana, um dos monitores que deixou a Síria disse que a missão era uma farsa por conta do controle do governo.

Com AP e BBC

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