Tanques e tropas sírias entram na cidade de Baniyas contra manifestantes

Segundo ativista, três mulheres morreram durante protestos; operação ocorre um dia depois de confrontos em Homs e Hama

iG São Paulo |

As tropas do Exército e tanques sírios se espalharam neste sábado por várias regiões do país e entraram na cidade litorânea de Baniyas, onde ocorreram fortes protestos contra o regime de Bashar al-Assad. Segundo um ativista, três mulheres foram mortas a tiro quando protestavam.

O presidente da Comissão Síria de Direitos Humanos, Walid Saffour, disse ao canal de televisão árabe Al-Jazeera que "as forças de segurança entraram em algumas áreas de Baniyas, o que atribui à ação um caráter sectário”.

AP
Foto tirada por ativista mostra protesto contra o governo na cidade de Homs, na Síria
Saffour não especificou em que parte da cidade as forças da ordem entraram, mas fontes da oposição apontaram que as ações ocorreram em bairros sunitas. Os protestos políticos, que começaram em março, reavivaram as tensões sectárias pela primeira vez em décadas na Síria, onde existem ainda minorias cristãs e curdas.

O ativista, cuja organização tem sede em Londres, explicou que as forças de segurança cortaram as comunicações, a eletricidade e a água em Baniyas. A ação lembra o ocorrido na cidade ao sul de Deraa, perto da fronteira com a Jordânia e sitiada pelo Exército desde 25 de abril.

Segundo relatos de opositores, há tanques e membros das forças de segurança nas ruas na cidade de Deraa e em outras áreas da província que é epicentro da revolta contra o regime sírio. Em Deraa, as comunicações telefônicas e a conexão à internet estão cortadas há dias e seus habitantes denunciam uma situação insustentável agravada pela falta de alimentos e de remédios.

A chegada de tropas à cidade ocorre um dia depois de milhares de pessoas saírem às ruas para pedir a queda de Al-Assad em um dia batizado de Sexta-feira do Desafio. Na véspera, a repressão das forças sírias contra os manifestantes matou ao menos 30 pessoas nas cidades de Homs e Hama, ao norte de Damasco, segundo testemunhas.

Na sexta-feira, os Estados Unidos advertiram que adotarão "medidas adicionais" contra a Síria caso Damasco não detenha sua brutal repressão aos manifestantes, quase uma semana depois de terem imposto duras sanções ao país árabe. "Os Estados Unidos acreditam que as ações deploráveis da Síria contra seu povo merecem uma resposta internacional forte", afirmou a Casa Branca em um comunicado, condenando o uso da "força bruta" para esmagar os protestos.

Washington alertou que a menos que o governo de Al-Assad pare com a repressão aos protestos pacíficos pró-democracia, "os Estados Unidos e seus parceiros internacionais irão tomar medidas adicionais para tornar clara a nossa forte oposição ao tratamento que o governo sírio dá ao seu povo".

Regime sírio

No dia 30 de abril, os EUA ordenaram o congelamento de operações financeiras da Síria, notadamente visando Maher Al-Assad, irmão poderoso do presidente, que comanda a temida Quarta Divisão Blindada da Síria. Também foram incluídos nessas sanções Ali Mamluk, chefe dos serviços de inteligência, e Atef Najib, que se apresentou como o ex-chefe de inteligência de Deraa.

A administração Obama, no entanto, até agora não retirou seu embaixador americano em Damasco, Robert Ford, que chegou em janeiro ao país em uma tentativa de melhorar as relações.

*Com EFE e AFP

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