Tanques do Exército sírio ocupam praça central de Hama

Testemunhas relatam tiros de metralhadora e explosões no quarto dia de uma violenta operação militar na cidade

iG São Paulo |

Reuters
Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanque em Hama
Tanques do Exército da Síria ocuparam a principal praça no centro de Hama, cidade que é palco de alguns dos mais intensos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad e alvo de uma violenta operação militar desde domingo.

De acordo com testemunhas, todos os serviços de comunicação e energia foram cortados. "O regime está destruindo Hama", afirmou um morador.

Pelo menos três tanques estão posicionados na praça, usada por manifestantes como local de concentração durante os protestos. Há relatos de que a praça também está sendo vigiada por integrantes de uma milícia conhecida como shabbiha.

Ativistas disseram que também é possível ouvir tiros de metralhadora em várias áreas da cidade, além de explosões que parecem estar concentradas no distrito de al-Hader.

A nova crise de violência na Síria começou no domingo , quando tanques invadiram Hama e outras cidades do país. Segundo a Associated Press, a ação do Exército deixou 75 mortos, enquanto a BBC fala em mais de 130 vítimas.

De acordo com ativistas, a operação deixou mais 24 mortos na segunda-feira - dez em Hama, seis em Damasco, três em Homs, dois em Boukamal, dois em Latakia e um em Madamaiya. Além disso, mais de cem pessoas teriam sido detidas no primeiro dia do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.

A violenta operação do Exército da Síria contra a oposição em diferentes cidades provocou uma nova onda de pressão internacional sobre o governo do país.

Na terça-feira, a Itália convocou seu embaixador em Damasco como protesto pela "horrível repressão contra a população". "Propomos que todos os países da União Europeia façam o mesmo", disse um comunicado da chancelaria italiana.

Na segunda-feira, a União Europeia ampliou as sanções contra o governo da Síria, incluindo mais cinco nomes na lista de indivíduos que tiveram bens bloqueados e estão proibidos de viajar para o bloco. Ao todo, 35 pessoas foram alvo de sanções.

O chefe militar americano Mike Mullen afirmou que os EUA querem aumentar a pressão contra o regime sírio "política e diplomaticamente". Questionado sobre a possibilidade de uma ação militar, Mullen afirmou que "não há qualquer indicação de que os EUA se envolvam diretamente".

A Alemanha solicitou uma reunião na ONU sobre a violência na Síria, durante a qual potências europeias relançaram um antigo projeto de resolução para condenar Damasco pela repressão contra manifestantes. Uma nova versão do texto circulou pelo Conselho de Segurança na segunda-feira, mas nenhuma decisão foi tomada.

A ação do Exército sírio parece tentar impedir que os protestos contra o governo ganhem força durante o Ramadã. No mês do jejum muçulmano, centenas de pessoas frquentam mesquitas à noite, e o regime teme que as orações possam se transformar em amplas manifestações.

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março. Além disso, mais de 12.600 pessoas foram presas e outras 3 mil constam como desaparecidas.

Com AP, BBC e AFP

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