Suíça ordena congelamento de bens de líder da Líbia

Medida se soma à decisão do Conselho de Segurança da ONU de considerar opções adicionais contra regime de Muamar Kadafi

iG São Paulo |

O governo suíço ordenou o congelamento de quaisquer bens do líder líbio, Muamar Kadafi, no país. O gabinete do país diz ter ordenado o congelamento "perante os acontecimentos" na Líbia, onde forças de segurança lançaram um violenta repressão contra manifestantes antigoverno. Em uma declaração, o governo suíço disse que quer evitar o mau uso de quaisquer bens líbios que estejam na Suíça.

Recentemente, a Suíça congelou os bens de Zine El-Abidine Ben Ali, da Tunísia, e de Hosni Mubarak , do Egito - mas apenas depois que os protestos forçaram suas renúncias.

Não está claro se Kadafi, sua família ou autoridades graduadas do país ainda têm bens na Suíça. A Líbia retirou a maior parte do dinheiro dos bancos suíços há dois anos, depois do estremecimento da relação entre os dois países após a prisão de Hannibal, filho de Kadafi, em um hotel suíço.

A medida aumenta a pressão internacional contra o regime de Kadafi, cujas forças de segurança e milícias fiéis tentavam nesta quinta-feira conter o avanço da oposição nas áreas próximas à capital , Trípoli, depois de o governo ter perdido o controle de algumas das principais cidades do país.

Além do congelamento de bens pela Suíça, o Conselho de Segurança da ONU concordou em considerar opções adicionais contra o regime líbio, incluindo a imposição de sanções.

Diplomatas disseram que o embaixador da ONU no Reino Unido, Mark Lyall Grant, afirmou ao conselho em consultas fechadas que era imperativo que os membros considerassem os próximos passos porque Kadafi fracassou em obedecer a reivindicação de pôr fim à violência contra os opositores.

Ainda não há data definida para as discussões sobre as ações adicionais, mas os diplomatas disseram que as consultas poderiam acontecer entre sexta-feira ou no fim de semana.

Também nesta quinta-feira, os EUA pediram que a Líbia seja expulsa do Conselho de Direitos Humanos da ONU por causa da violação dos direitos do povo. "Acreditamos que a Líbia deva ser expulsa do Conselho de Direitos Humanos", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.

Em um telefonema, os presidentes francês, Nicolas Sarkozy, e americano, Barack Obama, exigiram "o fim imediato do uso da força". "Levando em conta a repressão brutal e sangrenta e as declarações ameaçadoras do governo líbio, os dois presidentes reiteraram sua exigência de um cessar imediato do uso da força contra a população civil", disse a presidência francesa em um comunicado.

Na quarta-feira, em seu primeiro pronunciamento desde que a crise começou na Líbia, Obama afirmou que as autoridades líbias terão de prestar contas sobre os atos de violência contra os manifestantes que pedem a renúncia de Kadafi. O discurso do líder americano foi feito após Crowley afirmar que os EUA estão considerando uma série de respostas à violenta crise política na Líbia, incluindo a possibilidade de sanções e congelamento de bens.

"Estamos preparando amplas opções em resposta à violência em coordenação com aliados e parceiros", disse Obama ao explicar que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, estará na segunda-feira em Genebra para se reunir com ministros das Relações Exteriores em uma sessão do Conselho de Direitos Humanos sobre a violência no país do norte da África.

"Lá, ela manterá consultas com nossos parceiros sobre os eventos em toda a região e continuará assegurando que nos unamos à comunidade internacional para falar com uma única voz para o governo e a população da Líbia", afirmou.

Também na quarta-feira, os países da União Europeia (UE) decidiram avançar na imposição de sanções ao regime de Muamar Kadafi ao encarregar seus especialistas de apresentar uma série de medidas concretas.

Segundo informaram fontes do bloco europeu, as sanções poderiam abranger desde o congelamento de bens de dirigentes líbios, proibições para entrada em território da UE a um embargo de armas.

Al-Qaeda responsabilizada

Em seu terceiro pronunciamento desde o início das manifestações por sua renúncia, Kadafi afirmou nesta quinta-feira que os manifestantes antigoverno não têm demandas genuínas e responsabilizou a rede terrorista Al-Qaeda pelos tumultos no país. "A Al-Qaeda veio se estabelecer aqui. Se o (Osama) bin Laden vier te dar ordens, não o deixe, para que o país não se desestabilize", afirmou.

Em um telefonema da cidade de al-Zawiya (a cerca de 50 km da capital, Trípoli), transmitido ao vivo pela TV, Kadafi descreveu a atual revolta no país como uma "farsa" e disse que os jovens estão sendo dopados com drogas e álcool para participar na "destruição e sabotagem". Segundo Kadafi, adolescentes vêm sendo "explorados" por militantes da Al-Qaeda. "(Eles) colocam pílulas alucinógenas em seus cafés com leite, como Nescafé", disse. 

nullKadafi pediu que as famílias controlem seus filhos, dizendo que muitos manifestantes eram menores de idade e fora do alcance da lei. Mas ele também prometeu que serão julgados aqueles que realizam atos violentos.

O pronunciamento de meia hora foi dirigido à população de Zawiya, localidade ao oeste do país, onde nesta manhã dezenas foram mortos em ataque das forças leais ao regime contra os manifestantes, segundo relataram redes árabes de televisão.

Na terça-feira, o coronel fez um outro discurso em que indicou que não pretende deixar o poder e lutará "até a última gota de sangue".

Avanço da oposição

O discurso foi feito enquanto relatos indicam que a capital está sendo patrulhada por grupos fortemente armados, que teriam invadido residências para prender opositores.

Imagens postadas na internet indicaram que a oposição tomou cidades a cerca de 50 quilômetros de Trípoli. A capital continua sendo uma espécie de bastião do regime de Kadafi, depois que a segunda e a terceira maiores cidades do país, Benghazi e Misurata, foram tomadas pela oposição, assim como outros municípios na costa do Mar Mediterrâneo, como Sabratha e Zawiya.

Além disso, importantes terminais petrolíferos a leste de Trípoli estão sob o controle de opositores , disseram moradores de Benghazi que estão em contato com os manifestantes na região.

De acordo com os moradores, os terminais de petróleo e produtos petrolíferos de Ras Lanuf e Marsa el Brega estão sendo protegidos. Soliman Karim, envolvido na administração da cidade de Benghazi, disse que continuam as exportações, fonte vital de receita do país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Um segundo residente da cidade sugeriu que o fluxo de exportações pode ter sido prejudicado. Não foi possível obter confirmação imediata das informações com pessoas que estão operando os terminais.

*Com BBC, AP, EFE, AFP e Reuters

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