Choques em bairro de classe alta que abriga embaixadas e autoridades graduadas deixaram ao menos três mortos na capital

Em um dos piores choques no centro altamente controlado da capital neste um ano de levante da Síria, forças de segurança entraram em confronto nesta segunda-feira com atiradores em um bairro de classe alta de Damasco que abriga embaixadas e autoridades graduadas. Os choques deixaram ao menos três mortos.

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Casas danificadas pelo Exército do governo Sírio, de acordo com a oposição, são vistas em Homs em foto de 16 de março
Reuters
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O confronto no bairro de Mazzeh, a oeste de Damasco, revela a natureza mutante do conflito na Síria e sugere que os rebeldes estejam tentando compensar os ganhos do governo em recentes ofensivas bem-sucedidas contra redutos da oposição no norte e no centro da Síria ao atacar perto de onde membros do regime vivem.

Damasco tem passado amplamente incólume aos tiroteios diários e mortes do país desde que o levante contra o regime de Bashar al-Assad começou em março do ano passado, deixando mais de 8 mil mortos . A ONU calcula que mais de 30 mil sírios fugiram para países vizinhos, enquanto 200 mil se deslocaram para outras regiões da Síria.

Mas além das batalhas campais em Mazzeh e nos subúrbios, a capital testemunhou vários grandes ataques a bomba contra instalações de segurança, sendo a mais recente no sábado . O governo culpa "terroristas" pelas explosões, mas a oposição diz que o próprio regime pode estar lançando as ações para desacreditar a oposição.

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Os choques desta segunda-feira começaram quando forças de segurança invadiram um apartamento usado como esconderijo com um grupo "terrorista armado" em Mazzeh depois de forçar a retirada de todos os seus residentes, disse a agência de notícias estatal Sana. Sem dar mais detalhes, ela acrescentou que as forças mataram dois dos atirados e prenderam um terceiro enquanto um membro das forças de segurança também foi morto.

Um residente do bairro disse que rifles automáticos e metralhadoras foram usados na batalha de duas horas, que terminou às 4h locais. "Também ouvimos três explosões fortes", disse o homem sob condição de anonimato por temer represália do governo. Ele informou também que o choque foi perto da embaixada Suíça e da cada do general Assef Shawkat, o vice-chefe da equipe de segurança que é casado com a irmã do presidente Assad, Bushra.

Os rebeldes armados são ativos no subúrbio de Damasco e nas cidades-satélite, mas raramente se aventuram no coração da capital onde os soldados de Assad estão posicionados com força. O novo confronto mostra que os rebeldes ainda podem atingir o centro da capital apesar da bem-sucedida ofensiva do governo nas últimas semanas nos subúrbios de Damasco, na cidade central de Homs e na região de Idlib , no norte.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base no Reino Unido e com uma rede de ativistas por todo o país, disse que 18 soldados de Assad foram feridos nos confrontos, que descreveu como "as mais violentas desse tipo e perto dos centros de segurança em Damasco".

Missão de observadores

Os confrontos em Damasco aconteceram no mesmo dia em que uma missão de observação da ONU e da Organização da Conferência Islâmica (OCI) chegou à capital para tentar promover um cessar-fogo e avaliar a situação humanitária. A missão também tem o objetivo de preparar uma nova visita do enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan , que esteve no país nos dias 10 e 11 de março para se reunir com Assad.

As fontes acrescentam que os observadores da ONU e da OCI começaram sua missão de avaliação, supervisionada pelas autoridades sírias, em Homs (centro), Hama (centro), Tartus (oeste), Latakia (oeste), Aleppo (norte), Deraa (sul) e em Rif Damasco (nos arredores da capital) para analisar as necessidades humanitárias.

Na sexta-feira, Annan mostrou perante o Conselho de Segurança da ONU sua decepção com as respostas de Damasco à sua mediação no país, mas se mostrou decidido a continuar negociando após conseguir o apoio unânime do órgão.

Essa não é a primeira vez que observadores chegam ao país, já que em dezembro uma missão da Liga Árabe foi à Síria. Ela, no final, foi suspensa em 28 de janeiro por causa da deterioração da situação de segurança.

*Com AP e EFE

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