Soldados sírios enfrentam rebeldes em confrontos raros em Damasco

Choques em bairro de classe alta que abriga embaixadas e autoridades graduadas deixaram ao menos três mortos na capital

iG São Paulo |

Em um dos piores choques no centro altamente controlado da capital neste um ano de levante da Síria, forças de segurança entraram em confronto nesta segunda-feira com atiradores em um bairro de classe alta de Damasco que abriga embaixadas e autoridades graduadas. Os choques deixaram ao menos três mortos.

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O confronto no bairro de Mazzeh, a oeste de Damasco, revela a natureza mutante do conflito na Síria e sugere que os rebeldes estejam tentando compensar os ganhos do governo em recentes ofensivas bem-sucedidas contra redutos da oposição no norte e no centro da Síria ao atacar perto de onde membros do regime vivem.

Damasco tem passado amplamente incólume aos tiroteios diários e mortes do país desde que o levante contra o regime de Bashar al-Assad começou em março do ano passado, deixando mais de 8 mil mortos . A ONU calcula que mais de 30 mil sírios fugiram para países vizinhos, enquanto 200 mil se deslocaram para outras regiões da Síria.

Mas além das batalhas campais em Mazzeh e nos subúrbios, a capital testemunhou vários grandes ataques a bomba contra instalações de segurança, sendo a mais recente no sábado . O governo culpa "terroristas" pelas explosões, mas a oposição diz que o próprio regime pode estar lançando as ações para desacreditar a oposição.

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Os choques desta segunda-feira começaram quando forças de segurança invadiram um apartamento usado como esconderijo com um grupo "terrorista armado" em Mazzeh depois de forçar a retirada de todos os seus residentes, disse a agência de notícias estatal Sana. Sem dar mais detalhes, ela acrescentou que as forças mataram dois dos atirados e prenderam um terceiro enquanto um membro das forças de segurança também foi morto.

Um residente do bairro disse que rifles automáticos e metralhadoras foram usados na batalha de duas horas, que terminou às 4h locais. "Também ouvimos três explosões fortes", disse o homem sob condição de anonimato por temer represália do governo. Ele informou também que o choque foi perto da embaixada Suíça e da cada do general Assef Shawkat, o vice-chefe da equipe de segurança que é casado com a irmã do presidente Assad, Bushra.

Os rebeldes armados são ativos no subúrbio de Damasco e nas cidades-satélite, mas raramente se aventuram no coração da capital onde os soldados de Assad estão posicionados com força. O novo confronto mostra que os rebeldes ainda podem atingir o centro da capital apesar da bem-sucedida ofensiva do governo nas últimas semanas nos subúrbios de Damasco, na cidade central de Homs e na região de Idlib , no norte.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com base no Reino Unido e com uma rede de ativistas por todo o país, disse que 18 soldados de Assad foram feridos nos confrontos, que descreveu como "as mais violentas desse tipo e perto dos centros de segurança em Damasco".

Missão de observadores

Os confrontos em Damasco aconteceram no mesmo dia em que uma missão de observação da ONU e da Organização da Conferência Islâmica (OCI) chegou à capital para tentar promover um cessar-fogo e avaliar a situação humanitária. A missão também tem o objetivo de preparar uma nova visita do enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan , que esteve no país nos dias 10 e 11 de março para se reunir com Assad.

As fontes acrescentam que os observadores da ONU e da OCI começaram sua missão de avaliação, supervisionada pelas autoridades sírias, em Homs (centro), Hama (centro), Tartus (oeste), Latakia (oeste), Aleppo (norte), Deraa (sul) e em Rif Damasco (nos arredores da capital) para analisar as necessidades humanitárias.

Na sexta-feira, Annan mostrou perante o Conselho de Segurança da ONU sua decepção com as respostas de Damasco à sua mediação no país, mas se mostrou decidido a continuar negociando após conseguir o apoio unânime do órgão.

Essa não é a primeira vez que observadores chegam ao país, já que em dezembro uma missão da Liga Árabe foi à Síria. Ela, no final, foi suspensa em 28 de janeiro por causa da deterioração da situação de segurança.

*Com AP e EFE

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