Sob pressão, Kadafi anuncia distribuição de ajuda à população

Líder da Líbia anuncia aumento para funcionários públicos e distribuição de dinheiro para compensar aumento no preço dos alimentos

iG São Paulo |

Sob pressão para renunciar e com rebeldes controlando algumas das principais cidades da Líbia, o presidente Muamar Kadafi anunciou nesta quinta-feira uma distribuição de dinheiro para as famílias líbias e um aumento de salário para os funcionários públicos.

Segundo o governo, cada família receberá pagamentos equivalentes a cerca de US$ 400 para compensar o aumento nos preços dos alimentos. O regime também anunciou que o salário mínimo será praticamente dobrado, enquanto entre os trabalhadores do serviço público a elevação será de até 150%.

Anúncios similares foram feitos pelo ex-presidente da Tunísia Zine al-Abidine Ben Ali e pelo ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, em uma tentativa frustrada de frear os protestos contra seu governo.

Na quinta-feira, as forças leais ao governo lançaram ofensivas para reaver ou controlar cidades no oeste do país, já que o leste se encontra firmemente sob o controle da oposição. Mas há temores de que milícias ligadas a Kadafi estejam se articulando para atacar os rebeldes no leste, de acordo com relatos de jornalistas no local.

Também há expectativas quanto a possíveis cenas de violência na capital, Trípoli, que está sob vigilância das forças especiais de Kadafi e permanece um bastião do regime.

Pressão

No mais recente caso de "deserção" na Líbia, o procurador-geral do país, Abdelrahman Al Abar, renunciou ao cargo em protesto pelo "massacre" cometido contra o povo líbio, de acordo com um comunicado divulgado nesta sexta-feira pela rede Al Arabiya.

"Há um derramamento de sangue nunca vivido pelo povo líbio em toda sua história", afirmou Abar em sua declaração, lida por ele mesmo em um vídeo transmitido pela emissora.

Desde que a crise começou, pelo menos dois ministros e oito embaixadores líbios renunciaram em protesto contra a violenta repressão aos protestos antigoverno.

Nesta sexta-feira, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu que a comunidade internacional intervenha para pôr fim ao derramamento de sangue na Líbia.

Pillay afirmou que milhares de pessoas podem ter sido mortas ou feridas na crescente violência contra as manifestações antigoverno, muitas delas alvejadas na cabeça ou peito.

Ela fez a declaração durante uma sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. "Em contínua e flagrante violação da lei internacional a repressão da Líbia a manifestações pacíficas está escalando de modo alarmante, havendo relatos de matanças em massa, prisões arbitrárias e tortura de pessoas que protestam", disse Pillay.

Com BBC e Reuters

    Leia tudo sobre: kadafiprotestosmundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG