Sob pressão, governo da Síria autoriza sistema multipartidário

Decreto é assinado por líder Bashar Al-Assad um dia depois de declaração da ONU que condena governo por repressão a protestos

BBC Brasil |

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Reuters
Imagem de vídeo postado na internet que diz mostrar tanque em Hama (03/08)
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, assinou um decreto nesta quinta-feira autorizando a adoção de um sistema multipartidário no país.

O anúncio foi feito um dia após o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado uma declaração que condena o governo Assad pela violenta repressão às manifestações pró-democracia no país.

Em julho, o governo sírio havia anunciado um projeto de lei sobre o sistema multipartidário, que poria fim a décadas de controle absoluto do cenário político sírio pelo Partido Baath de Assad. O fim do sistema de partido único é uma das principais reivindicações dos manifestantes.

Mas líderes dos protestos reagiram ao anúncio do governo dizendo se tratar de uma tentativa de desviar a atenção da repressão às manifestações.

Consenso na ONU

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou declaração condenando Assad pela violenta repressão às manifestações pró-democracia no país. O texto referendado pelo órgão, formado por 15 países-membros da ONU, inclusive o Brasil, condena a "violação generalizada dos direitos humanos e o uso da força contra civis pelas autoridades sírias".

O Líbano, que está na esfera de influência da Síria, decidiu se desassociar do texto final, lançando mão de um procedimento que não era usado no órgão havia décadas.

A ONU também pede "o fim imediato de toda violência" na Síria e chama as partes a "agir com máxima moderação e se abster de represálias, incluindo ataques contra instituições do Estado". Esta foi a primeira declaração condenando a repressão dos protestos por parte do regime de Assad.

'Pilhas de corpos'

Tropas e tanques sírios teriam avançado nesta quarta-feira para o centro da cidade de Hama, segundo testemunhas, colocando fim a semanas de protestos contra o governo. Ativistas de direitos humanos afirmam que mais de cem pessoas morreram apenas no último fim de semana em Hama, cidade que já estava sitiada pelo Exército.

Testemunhas disseram que boa parte da cidade está sitiada é que há corpos empilhados pelas ruas. Também há relatos de que famílias que tentavam deixar a cidade eram baleadas e obrigadas a retornar.

Pessoas que conseguiram fugir disseram que a situação é pior do que nos anos 1980, quando o então presidente Hafez Assad, pai de Bashar, deixou pelo menos 10 mil mortos na repressão a protestos.

Jornalistas estrangeiros raramente têm acesso aos acontecimentos do país, tornando difícil confirmar as informações passadas por testemunhas e ativistas da oposição.

"O regime está aproveitando que o foco da mídia está no julgamento de Hosni Mubarak (que começou nesta quarta-feira no Egito) para acabar com a nossa cidade", disse um morador de Hama à agência Reuters, por meio de um telefone por satélite.

A comunicação com a cidade foi completamente cortada, assim como o fornecimento de água e energia.

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