Sírios votam em meio à violência e a ultimato contra Homs

Segundo governo, votação é prova de reformas pedidas por população, mas oposição pede boicote; Homs enfrenta ameaça de ataque

iG São Paulo |

Os sírios votam nesta segunda-feira para eleger seus representantes nos municípios do país, envolvido há nove meses em uma revolta popular sem precedentes reprimida de maneira sangrenta, na primeira eleição após o início do movimento de rebelião contra o regime do presidente Bashar al-Assad, em 15 de março. Os centros de votação abriram às 8h locais (4h em Brasília).

AP
Homem mostra dedo pintado após votar em Damasco, capital da Síria
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As autoridades disseram que a votação será mais livre que anos anteriores, mas a oposição pediu um boicote e desde domingo faz um greve em meio a uma campanha de desobediência civil seguida por parte da população, em particular em Homs (centro). A expectativa é de que o comparecimento às urnas seja muito baixo.

Segunda as autoridades, as eleições desta segunda-feira fazem parte de reformas que foram introduzidas em resposta aos protestos. "A nova lei eleitoral contém as garantias necessárias para um eleição democrática, transparente e honesta", disse o chefe da comissão eleitoral, Khalaf al-Ezzawi, à mídia estatal. Cerca de 43 mil candidatos competem por mais de 17 mil cadeiras em conselhos locais em todo o país.

Paralelamente desde a madrugada, houve confrontos entre desertores e forças de segurança em dois locais simbólicos da contestação na Síria, Idleb (noroeste) e Deraa (sul), segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Um civil morreu e outros cinco ficaram feridos por disparos das forças do regime na região de Idleb, segundo o OSDH, cuja sede encontra-se em Londres. No domingo, 18 pessoas teriam morrido em confrontos em várias cidades. De acordo com a ONU, a repressão ao levante deixou mais de 4 mil mortos , incluindo 307 crianças, desde março.

Ultimato contra Homs

Os residentes de Homs, a terceira maior cidade do país, enfrentam um ultimato para parar os protestos antigoverno, entregar suas armas e desertores do Exército até a noite desta segunda-feira se não quiserem enfrentar um ataque das forças do governo, disse um líder da oposição à rede de TV CNN.

De acordo com o coronel Mohamed Hamdo do Exército Sírio de Libertação, um grupo de oposição formado por desertores militares, as forças sírias impuseram na sexta-feira um alerta de 72 horas da Homs, que tem sido o centro do levante popular. O governo não reconheceu tal prazo na mídia estatal.

Segundo correspondentes da BBC, Homs parece uma zona de guerra, com confrontos a tiros ocorrendo todos os dias entre as unidades do Exército e forças da oposição levemente armadas. À Al-Jazeera, um residente disse: "Nem sabia que havia eleições. A população daqui retirou todas as fotos do presidente Bashar al-Assad das ruas, então não espere ver fotos de candidatos que não são nada além de marionetes do regime."

Assad está sob contínua pressão internacional para pôr fim à repressão contra os manifestantes antigoverno. No sábado, a Liga Árabe deve discutir a aceitação condicional de Damasco ao plano da organização de enviar monitores para analisar a violência do país. No mês passado, a liga suspendeu a Síria em protesto à violência contínua e também impôs sanções contra a nação árabe .

*Com BBC e AFP

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