Sírios relatam uso de tanques contra cidade e prisões em massa

De acordo com organização, repressão deixou hoje 18 mortos, incluindo menino de 8 anos; 10 mil foram detidos nos últimos dias dias

iG São Paulo |

A Organização Nacional para os Direitos Humanos da Síria disse nesta quarta-feira que a repressão das forças de segurança deixou 18 mortos, incluindo um menino de 8 anos. De acordo com o líder do grupo, Ammar Qurabi, 13 foram mortos em disparos de tanques em uma vila nos arredores de Deraa, cidade no sul do país onde o levante contra o governo começou, em meados de março.

Outros cinco foram mortos em Homs, a terceira maior cidade da Síria. Diversas testemunhas relataram que os distritos de Bab Amro, que é predominantemente residencial, e de Aldubiyeh foram alvos de ataques com tanques . Um dos moradores de Homs disse à BBC que Bab Amro está cercado há quatro dias, e os residentes da região estão sem acesso a água, eletricidade ou atendimento médico. Testemunhas dizem que pontos de checagem foram montados ao redor do distrito.

AP
Imagem de celular de 10/05/2011 adquirida pela AP mostra manifestantes antigoverno durante protesto em Qamishli, no nordeste da Síria

Desde o início da revolta popular, mais de 750 morreram na repressão e milhares foram presos. Segundo o New York Times, pelo menos 10 mil manifestantes foram detidos nos últimos dias. Nenhuma das informações pôde ser verificada com fontes independentes, pois jornalistas estrangeiros não têm permissão de entrar no país.

Em meio ao aumento da pressão internacional contra a repressão aos protestos e às reivindicações internas por eleições livres, a agência oficial Sana anunciou que uma comissão redigirá uma nova lei eleitoral para a Síria que respeite "os critérios internacionais". "A comissão precisará terminar seus trabalhos nas próximas duas semanas", disse a agência.

Em Nova York, os países ocidentais lançaram uma nova tentativa para condenar a Síria no Conselho de Segurança da ONU. Além disso, a União Europeia estuda uma revisão de suas sanções contra o regime sírio para exercer "o máximo de pressão política possível" sobre o presidente Bashar al-Assad, anunciou nesta quarta-feira a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Mortes

Homs é mais uma cidade ocupada pelo Exército desde março, quando começou a atual onda de protestos na Síria. O Exército está presente no norte da capital Damasco, em Baniyas, que fica no litoral do Mediterrâneo, e em Deraa, no sul do país. Deraa está isolada há duas semanas.

Há indícios de que forças de segurança estão agindo também em outras cidades. Na terça-feira, algumas testemunhas disseram que alguns tanques estavam se movimentando em direção à cidade de Hama, na região central.

Também há relatos de ações das forças de segurança contra manifestantes nas cidades de Tafas, Latakia, Qadam e Idlib. Em Jassem, ao norte de Deera, houve manifestações na noite de terça, mesmo com relatos de que tanques estavam entrando na cidade.

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que manifestantes também foram alvos da polícia na cidade de Deir ez-Zor, no leste do país. Dezenas foram mortos nos últimos dias, e estima-se que centenas foram presos pelas autoridades.

O governo do presidente sírio diz que os manifestantes são "terroristas" que matam policiais e soldados. Já os ativistas dizem que muitos soldados estão sendo mortos pelo próprio Exército, por se recusarem a atirar contra civis.

A Organização Nacional pelos Direitos Humanos na Síria disse que 300 pessoas que haviam sido presas na cidade de Baniyas foram soltas. O grupo afirma que os serviços básicos - como água, luz e telefone - já foram restabelecidos na cidade, que havia sido alvo de ataque do Exército na semana passada.

Baniyas continua com tanques na rua, segundo a entidade. Outro grupo sírio de direitos humanos, o Sawasiah, disse que 800 civis foram mortos. Autoridades sírias desmentem o número e dizem que 100 soldados foram mortos.

*Com AP, New York Times, BBC e AFP

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