Sírios preparam novos funerais após confrontos durante enterros

Funerais deste domingo devem ser a ocasião para uma nova mobilização da oposição em cidade do centro do país

AFP |

Os sírios se preparavam neste domingo para um novo dia de funerais, após o falecimento, na véspera, de cinco pessoas baleadas pelas forças de segurança durante o enterro de manifestantes mortos em protestos na sexta-feira .

Os funerais deste domingo devem ser a ocasião para uma nova mobilização da oposição em Homs (centro), terceira maior cidade do país e que agora lidera o movimento de contestação contra o regime, ao mesmo tempo em que aumentam as pressões internacionais para que o presidente do país, Bashar al-Assad, pare de reprimir os protestos.

O regime continua atribuindo os atos de violência a "grupos terroristas" e a "grupos armados", embora para a oposição o uso da força seja um sinal de perda de credibilidade. "Sua feroz repressão fracassou porque o muro do medo caiu, apesar das prisões massivas e da tortura", assegurou um militante por telefone.

AP
Manifestações contra o governo terminaram com repressão e mortes
"Ninguém acredita em suas propostas de diálogo nacional porque o governo não vai ao centro do problema. A raiva cresce nas ruas porque as pessoas desconhecem para onde vamos. E as mortes continuam alimentando esta raiva e este sentimento de rancor", acrescentou.

No sábado, as forças de segurança mataram ao menos cinco civis ao abrir fogo contra a multidão que saía de um cemitério de Homs após os funerais de 13 vítimas de outro tiroteio, ocorrido na véspera na mesma cidade.

Segundo ativistas humanitários, ao menos 44 manifestantes, entre eles um menino de 12 anos e vários adolescentes, morreram na sexta-feira em todo o país como consequência da repressão. As autoridades contabilizaram 17 mortos, entre eles vários membros das forças de segurança, em atos violentos, responsabilizando novamente os grupos armados pelas mortes.

As restrições impostas à imprensa estrangeira impedem qualquer comprovação independente no local.Inclusive a Turquia, aliada da Síria, advertiu o regime de que continuar recorrendo à força contra os manifestantes pode trazer "consequências muito negativas".

Na origem deste movimento de contestação sem precedentes os manifestantes pedem o fim do estado de emergência, em vigor há quase meio século, a libertação de presos políticos, novas eleições e o fim da supremacia do partido Baas.

Assad, que chegou ao poder em 200 após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, anulou o estado de emergência em abril com o fim de aplacar as manifestações, mas desde então os pedidos pela queda do regime não pararam de se multiplicar. 

Diante de uma repressão que já deixou ao menos 850 mortos, mais de 8 mil prisões de dissidentes e o êxodo de milhares de sírios, segundo ONGs e a ONU, os Estados Unidos impuseram sanções contra o regime de Assad, exigindo que dirija uma transição ou deixe o poder. Solicitações que até agora o regime não quis ouvir.

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