Sírios enterram parentes mortos em funerais

No sábado, forças de segurança atiraram durante enterro de manifestantes mortos nos protestos de sexta-feira

AFP |

Milhares de pessoas participaram sem incidentes neste domingo dos funerais dos mortos pela repressão na Síria, segundo testemunhas, no sábado. Moradores da província de Deraa, onde nasceu o movimento de revolta no sul do país, enterraram cinco sírios depois das orações. Uma manifestação foi realizada posteriormente sem que as forças de segurança interviessem, explicou um militante. A maioria dos comércios fechou em sinal de luto.

No sábado, ao menos 13 pessoas morreram por disparos em várias cidades do país , entre elas cinco em Deraa, quando participavam do funeral das vítimas da repressão da véspera nos protestos contra o regime sírio. Os números não puderam ser confirmados de forma independente por causa das restrições ao trabalho de jornalistas estrangeiros na Síria. Muitos profissionais da imprensa internacional foram expulsos do país pelo governo ou têm permissão para trabalhar apenas em áreas distantes dos conflitos.

Enquanto o movimento de revolta iniciado em 15 de março não se dilui, o regime continua reprimindo as manifestações, apesar de suas promessas de reformas, como a aprovação da lei do estado de emergência, segundo opositores e ONG internacionais.

Os serviços de segurança mobilizaram-se até várias cidades da Síria para prender militantes hostis ao regime, denunciaram testemunhas e a oposição síria. "Dezenas de prisões" ocorreram em várias cidades, afirmou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, sediado em Londres, que forneceu os nomes de 15 presos no leste do país.

A organização denunciou "a continuação da política de prisões arbitrárias, apesar do fim do estado de emergência" e pediu "uma investigação independente sobre os assassinatos cometidos durante as manifestações".

As autoridades sírias libertaram neste domingo o presidente do Comitê de Defesa das Liberdades e Direitos Humanos, Daniel Saud, que tinha sido preso no sábado em sua casa em Banias, noroeste do país, informou o ativista Ammar al Qurabi.

As prisões também ocorreram na capital síria e nos arredores, durante incursões aéreas dos serviços de segurança, segundo testemunhas e outros militantes, que não forneceram nem o nome nem a identidade das pessoas presas.

Outras testemunhas afirmaram que as estradas que levam aos "setores quentes" próximos a Damasco foram fechadas à noite. Além disso, foram instalados postos de controle para verificar a identidade das pessoas que circulam e autorizar apenas o acesso de residentes às regiões onde os protestos ocorriam.

Neste domingo, dezenas de veículos transportaram pessoas entre Deraa e Nawa para participar dos funerais de quatro pessoas mortas na véspera, disse um opositor. Eles levaram bandeiras sírias e cartazes com inscrições que pediam "a supressão do artigo 8 da Constituição" (sobre a supremacia do partido único Baas), completou o opositor, que não revelou sua identidade.

As autoridades sírias continuam denunciando mortes nas filas da polícia ou do exército por "grupos armados", aos quais atribuem o movimento de revolta.

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