Sírios desafiam Exército e protestam em várias cidades

Manifestantes saíram às ruas em Deir el-Zour e nos arredores de Hama, alvos de violenta repressão militar

iG São Paulo |

AFP
Imagem de vídeo publicado na internet que diz mostra manifestação antigoverno em Talbisseh, perto de Homs, na Síria
Forças de segurança da Síria atiraram contra milhares de manifestantes que lotaram as ruas de várias cidades nesta sexta-feira. Segundo ativistas, a repressão aos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad deixaram ao menos 11 mortos.

De acordo com testemunhas, os maiores protestos aconteceram em Homs, nos arredores de Hama, Latakia, Deir el-Zour, nos subúrbios de Damasco e em vários locais na província de Ibleb, próxima à fonteira com a Turquia.

As manifestações em Deir el-Zour e em Hama foram especialmente significativas porque o Exército sírio tomou o controle das duas regiões nesta semana após uma violenta operação.

Os manifestantes enfrentaram dificuldades para participar dos protestos principalmente em Hama, onde soldados cercaram mesquitas e atiradores se posicionaram em cima de telhados.

"Há postos de controle a cada 200 metros. Os soldados têm listas de nomes e revistam as pessoas", afirmou um ativista. Segundo ele, dezenas de militares estão na praça Assi, que foi o epicentro dos protestos nas últimas semanas.

Em Deir el-Zour, as forças sírias teriam disparado contra manifestantes que saíam de uma mesquita, que teria pegado fogo. "O bairro inteiro está ecoando com o som dos tiros", disse uma testemunha. "As pessoas estão fugindo para se proteger nos becos."

Fortes confrontos também aconteceram na província de Idleb, que é alvo de forte operação militar que forçou milhares de sírios a cruzar a fronteira e fugir para a Turquia.

Apelo do Ibas

Na quinta-feira, Brasil, Índia e África do Sul pediram moderação e respeito aos direitos humanos ao presidente da Síria.

Em comunicado divulgado pelo ministério indiano das Relações Exteriores, representantes dos três países (grupo denominado pela sigla Ibas) pediram "o fim imediato da violência e que todas as partes atuem com máxima moderação e máximo respeito aos direitos humanos e às regras internacionais".

Uma delegação com representantes de Brasil, Índia e África do Sul foi recebida na quarta-feira em Damasco pelo ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem. O enviado brasileiro que participou da reunião foi o subsecretário para o Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores, Paulo Cordeiro.

Em comunicado divulgado na quarta-feira, os países emergentes disseram que o presidente sírio reconheceu erros na repressão contra manifestantes. Segundo o texto, Assad afirmou que “alguns erros foram cometidos pelas forças de segurança na fase inicial dos distúrbios e que os esforços serão realizados para impedir a recorrência”.

O comunicado disse também que Assad prometeu implementar reformas políticas, econômicas e sociais, incluindo a revisão da Constituição, até o fim do ano. O líder sírio teria negado, no entanto, que o governo seja responsável pelos atos de violência envolvendo os protestos na região.

Com AP, BBC, Reuters e AFP

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