Sírios dedicam marchas desta sexta-feira a 'crianças da liberdade'

Segundo Unicef, 30 crianças morreram desde março; de acordo com ativistas, repressão à manifestação de 50 mil deixou 34 mortos

iG São Paulo |

Manifestantes sírios que voltaram às ruas do país nesta sexta-feira dedicaram os protestos às "crianças da liberdade" que têm participado da mobilização contra o governo do presidente Bashar al-Assad. Segundo o Unicef (Fundo Mundial das Nações Unidas para a Infância), ao menos 30 crianças teriam sido mortas nos ataques das forças de segurança sírias desde meados de março.

Nesta sexta-feira, a repressão cada vez mais violenta do regime deixou ao menos 34 civis mortos a tiros na cidade de Hama, norte do país e a 210 km de Damasco, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

De acordo com a mesma organização, mais de 50 mil manifestantes protestam contra o regime na região central do país.

"É a maior manifestação em Hama desde o início do movimento de protesto em março", disse Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório, que tem sede em Londres. Outras cidades também registradas manifestações, segundo militantes da oposição.

O principal símbolo da mobilização em homenagem às crianças é Hamza al-Khatib , um menino de 13 anos que, segundo a oposição, foi "torturado e assassinado". Várias páginas da rede social Facebook - algumas delas com fotos e vídeos que mostram o suposto corpo mutilado de Hamza - prestam homenagem ao menino.

"Todos somos Hamzeh Khatib" indicam muitas páginas do Facebook, seguindo a célebre frase " Todos somos Khaled Sadi " (nome do jovem egípcio morto pela polícia), que desencadeou as grandes manifestações egípcio que forçaram a queda de Hosni Mubarak .

O porta-voz do Unicef, Patrick McCormick, afirmou que a "utilização de imagens de crianças é incrivelmente poderosa". "A foto de um menino morto, torturado ou mutilado, tem muito mais impacto do que a de um adulto", disse McCormick.

Reprodução
Reprodução de vídeo sem data mostra manifestante com foto de Hamza al-Khatib, que virou símbolo de protestos na Síria
Na internet surgem todos os dias páginas intituladas "Crianças mártires da Síria", "Pelas crianças da Síria" ou "Ajudem as crianças da Síria". O Unicef disse que não pode verificar as circunstâncias exatas das mortes, mas indica que o número de crianças mortas na Síria, assim como na Líbia, é certamente mais elevado do que se imagina.

Nesses dois países, os regimes autocráticos bombardearam cidades "rebeldes", ao contrário do que aconteceu na Tunísia e no Egito. Nessas situações, as crianças "não estão conscientes do perigo, ainda mais porque as manifestações são um fenômeno novo no país", disse McCormack.

No site "Crianças mártires da Síria", um vídeo mostra uma menina chamada "Maya" carregada por seu pai, que grita "Fora, fora!", lema repetido constantemente pelos manifestantes contra Assad. De acordo com a oposição, Hamza tinha decidido participar das manifestações depois que a polícia matou um de seus primos.

Internet cortada

O acesso à internet foi cortado nesta sexta-feira em Damasco e Latakia, noroeste da Síria, informaram moradores de vários bairros da capital e da grande cidade costeira. Em abril, a internet ficou um dia fora do ar, em consequência, segundo a companhia síria de telecomunicações, de uma sobrecarga de conexões.

A Síria é cenário de uma revolta popular desde meados de março. No total, segundo as associações de defesa dos direitos humanos, mais de 1,1 mil civis morreram desde o início da revolta em consequência da repressão e pelo menos 10 mil opositores foram detidos.

*Com AFP

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