Sírios votam em referendo constitucional em meio à violência

Ataques continuam neste domingo e há relatos de mais de 20 mortes nas cidade de Homs e Hama

EFE |

O governo sírio realiza neste domingo um referendo para reforma constitucional em meio à crescente violência e um boicote anunciado pela oposição.

AP
Sírios votam em referendo para reforma constitucional nesta dominfo
Leia também: Mais de 50 morreram neste sábado na Síria, dizem ativistas

A proposta de nova Constituição prevê eleições multipartidárias para o Parlamento em um prazo de três meses. Mas a oposição classificou a votação deste domingo de "farsa" e voltou a pedir que o presidente Bashar al-Assad renuncie.

A votação ocorre em meio à repressão ao movimento de protesto contra o governo. Segundo ativistas, 89 pessoas teriam sido mortas em consequência da violência em toda a Síria somente no sábado. Neste domingo, a ações repressivas continuaram. Pelo menos 29 pessoas teriam sido mortas, de acordo com as comissões de coordenação locais da Síria. Os mortos incluem 17 em Homs e oito em Hama.

Questionamentos

A TV estatal síria vem promovendo discussões sobre a nova Constituição, que abriria mais espaço para a oposição ao partido Baath, do presidente.

Mas o documento foi rejeitado pela oposição. Um grupo opositor observou que o regime de al-Assad nunca respeitou a antiga Constituição, que garantia liberdade de expressão e de manifestação e proibia a tortura.

A atual onda de violência também vem levantando questionamentos sobre a capacidade do governo de realizar um referendo constitucional com sucesso. 

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, expressou essa preocupação durante uma entrevista coletiva em Istambul, questionando: "De um lado você realiza um referendo e de outro você ataca com artilharia de tanques em áreas civis. Você acha que as pessoas vão sair para um referendo nesta mesma cidade?". O governo dos Estados Unidos classificou o referendo como "risível".

Reuters
Ativistas protestam contra o presidente Bashar al Assad em Trípoli

Civis sitiados

Segundo ativistas sírios, as mortes do sábado incluiriam 24 civis nas áreas sitiadas de Homs, a terceira maior cidade do país e alvo de bombardeios pelas forças do governo nas últimas semanas. Além disso, 23 soldados das forças do governo teriam sido mortos em enfrentamentos com rebeldes em todo o país.
A Cruz Vermelha Internacional vem tentando retirar civis sitiados no distrito de Baba Amr, em Homs, mas relatou ter feito pouco progresso no sábado, após retirar poucas dezenas de pessoas na sexta-feira.

Entre as pessoas que esperam ajuda para sair do local estão dois jornalistas ocidentais, Edith Bouvier e Paul Conroy. Os corpos de dois outros jornalistas estrangeiros mortos na semana passada, Marie Colvin e Remi Ochlik, também ainda não foram retirados de Homs.

Centenas de rebeldes armados do Exército da Síria Livre controlam o subúrbio de Baba Amr.

Pressão internacional

A Síria vem enfrentando crescente pressão internacional pelo fim da campanha de repressão à oposição, que já dura 11 meses.

O ex-secretário da ONU Kofi Annan, que foi nomeado enviado especial da organização e da Liga Árabe para a Síria, pediu que todos os lados cooperem para encontrar uma solução pacífica para a crise.

Na sexta-feira, representantes de 70 países que formam o grupo "Amigos da Síria" se reuniram em Túnis, na Tunísia, e pediram que o governo sírio interrompa imediatamente a violência e permita a entrada de ajuda humanitária.

A ONU estimou em janeiro que 5.400 pessoas já haviam sido mortas no conflito desde março do ano passado. Ativistas dizem que o número de mortos já chega a 7.300.

O regime sírio restringe o acesso a jornalistas estrangeiros, razão pela qual os números não podem ser confirmados independentemente.

Com EFE e BBC Brasil

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