Síria terá eleições legislativas até fim do ano, garante chanceler

Monarquias do Golfo pressionam regime do presidente Bashar al-Assad e pedem fim da violência contra manifestantes

iG São Paulo |

AFP
Chanceler sírio, Walid al-Muallem, prometeu eleições legislativas ainda neste ano no país (foto de arquivo)
O ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid al-Muallem, assegurou neste sábado que o país realizará eleições legislativas antes do fim do ano e que as urnas servirão como "árbitro" nas reformas anunciadas pelo presidente Bashar al-Assad.

Segundo a agência de notícias oficial Sana, Muallem se reuniu neste sábado com os embaixadores credenciados em Damasco e lhes disse que as autoridades sírias estão comprometidas com as reformas anunciadas por Assad, apesar de não terem conseguido até o momento aplacar os protestos de milhares de manifestantes que reivindicam quase diariamente sua renúncia.

O chefe da diplomacia síria acrescentou que haverá "eleições limpas e justas que levem a uma Assembleia Popular que represente o povo sírio através do pluralismo político, garantido pela lei de partidos políticos e lei eleitoral". Ele enfatizou também que o Parlamento eleito no pleito revisará as leis que foram adotadas para decidir sobre elas.

Assad promulgou na quinta-feira passada decretos legislativos 100, referente à Lei de Partidos, e o 101, sobre a Lei de Eleições Gerais, que abrem o país ao multipartidarismo . A oposição síria, no entanto, rejeitou as mudanças , ao colocar em dúvida a efetividade das reformas e questionar a demora após meses de protestos e milhares de mortes.

Pressão internacional

Neste sábado ainda, as monarquias do Golfo exigiram que a Síria coloque fim ao "banho de sangue" e inicie "sérias reformas" no governo, em um comunicado publicado ao dia seguinte às morte de mais de 20 manifestantes no país, vítimas de disparos das forças de segurança.

AFP
Imagem retirada de vídeo no YouTube mostra protestos contrários ao governo de Assad em Idlib, no noroeste da Síria (5/8)
"O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) exige que Damasco ponha fim imediato à violência e ao banho de sangue", disse o grupo em comunicado. O CCG, formado pela Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Omã e Qatar, pediu ainda "razão e a tomada de sérias e necessárias reformas que protejam os direitos e a dignidade do povo sírio". 

Líderes ocidentais também condenaram o regime de Assad pelo uso da “violência indiscriminada” contra os manifestantes opositores.

De acordo com a Casa Branca, o presidente americano, Barack Obama, chamou os líderes Nicolas Sarkozy (França) e Angela Merkel (Alemanha) para discutir novas medidas contra Damasco.

Vítimas

Ativisitas e testemunhas disseram que ao menos 24 pessoas morreram em meio aos protestos de sexta-feira. Enquanto sete pessoas teriam morrido em Arbin, a oeste de Damasco, cinco teriam sido mortos em Homs, outros cinco em Hama, três em Dumair, dois na própria capital, um em Deraa e outro em Madamiya, nos arredores da capital.

Segundo estimativas da ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cerca de 1.653 civis e 389 membros das forças de segurança sírias morreram desde o início da onda de protestos no país, em março.

*Com EFE, AFP e BBC

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