Síria tem mortos em protestos, enquanto Exército amplia ofensiva no norte

Segundo ativistas, forças de segurança mataram ao menos oito; governo enviou armamentos para Maarat al-Numan e Khan Sheikhoun

iG São Paulo |

Protestos contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, levaram a choques nesta sexta-feira na Síria, deixando ao menos oito manifestantes mortos por forças de segurança, segundo a rede britânica BBC. A Associated Press, no entanto, fala em ao menos 16 mortos em protestos pelo país.

De acordo com ativistas e testemunhas, forças de segurança sírias abriram fogo em Homs, Damasco e Deir al-Zour, no leste.

Desde a madrugada de quinta-feira para sexta-feira, o Exército sírio tem avançado na ofensiva em cidades do norte do país. Tanques, blindados, armamentos pesados e ônibus com recrutas foram enviados para as cidades de Maarat al-Numan e Khan Sheikhoun, ambas no caminho que liga a capital Damasco a Aleppo.

AFP
Imagem retirada de vídeo no YouTube mostra protesto opositor na cidade de Hama, na Síria
Imagens da TV estatal mostraram fotos dos avanços das tropas sírias, cuja missão anunciada é combater “organizações terroristas armadas”.

Autoridades afirmam que o plano é levar a cabo uma “operação militar limitada” em Maarat al-Numan, para “restaurar a segurança” no local. O ativista de direitos humanos Mustafa Osso disse à agência Associated Press que ao menos 300 pessoas estavam sendo detidas diariamente na região.

Investigadores da ONU, que foram proibidos de entrar na Síria, acreditam que até 10 mil pessoas tenham sido detidas no país por atos de oposição ao governo.

Em Jisr al-Shughour , palco de fortes confrontos nos últimos dias no noroeste do país, autoridades pediram à população em fuga que regresse à cidade, agora sob controle das forças de segurança. Mais de 8 mil sírios fugiram de Jisr al-Shughour durante os conflitos, buscando abrigo na Turquia .

ONU

Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o regime sírio cesse o derramamento de sangue e “pare de matar seu próprio povo”. As Nações Unidas estimam que ao menos 1,1 mil pessoas tenham morrido em atos de repressão nos últimos três meses no país.

Potências ocidentais continuam em campanha para levar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução condenando a repressão na Síria, mas enfrentam oposição da Rússia e da China, ambas com poder de veto no CS.

O presidente Bashar al-Assad tem nos atuais protestos seu maior desafio em 11 anos de governo. As manifestações contra seu regime, que começaram no sul e se espalharam para o norte do país, ameaçam tomar força no leste sírio, próximo à fronteira com o Iraque.

Também nesta quinta-feira, a TV estatal noticiou que Rami Makhlouf, primo de Assad e importante empresário das áreas de telecomunicações, construção civil e petróleo na Síria, pretende abandonar seus negócios e supostamente doar os lucros a ações de caridade.

A declaração de Makhlouf - que está entre as autoridades sírias listadas em sanções impostas pela União Europeia - demonstra que o círculo próximo a Assad está sob pressão crescente, segundo relata o correspondente da BBC em Beirute Jim Muir.

*Com BBC

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