Síria reprime protestos em meio a pedidos por renúncia de Assad

Rússia diz discordar de líderes de EUA, Reino Unido, Alemanha e França, para quem líder sírio deve deixar o cargo

iG São Paulo |

AFP
Imagem de vídeo publicado na internet que diz mostrar manifestação em Idleb, na Síria
Forças de segurança da Síria atiraram contra milhares de manifestantes que saíram às ruas de várias cidades para protestos contra o governo nesta sexta-feira, um dia depois de Estados Unidos e Europa pedirem a renúncia do presidente Bashar Al-Assad. De acordo com ativistas, os confrontos deixaram ao menos 20 mortos.

Soldados e tanques foram mobilizados em vários locais, apesar de Assad ter garantido ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que todas as operações militares e policiais tinham acabado. Manifestações aconteceram na capital, Damasco, e também em Homs, Deraa, Latakia, Deir el-Zour, entre outras.

Ativistas disseram que mortes também foram registradas durante protestos realizados na noite de quinta-feira em algumas cidades. Um maior número de manifestações estão ocorrendo durante a noite, quando o número de soldados na rua é menor.

Nesta sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Lukashevich, afirmou que o país é contra os pedidos internacionais pela renúncia de Assad e que o líder da Síria precisa de tempo para cumprir suas promessas de reformas.

O texto pede que Assad ponha fim à violência, mas também afirma que a oposição deve “dialogar com as autoridades e se desassociar de extremistas”. “A instabilidade na Síria causaria consequências graves em todo o Oriente Médio”, afirmou o texto.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Assad deve renunciar "pelo bem do povo sírio".  Segundo o líder americano, Assad está "no caminho" da população da Síria, que é quem vai decidir o futuro do país.

O texto também diz que as promessas de reforma feitas pelo presidente sírio são "vazias", uma vez que ele continua "prendendo, torturando e matando seu próprio povo".

"Está claro que o presidente Assad acredita que pode silenciar as vozes da população de seu país recorrendo às táticas repressivas do passado", afirmou Obama. "Mas ele está enganado."

Pouco depois, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, emitiram um comunicado pedindo que Assad deixe o poder.

A chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que o bloco "nota a completa falta de legitimidade do líder aos olhos do povo sírio e a necessidade de que ele renuncie".

As declarações foram feitas no dia em que a ONU denunciou que o país é palco de crimes contra a humanidade, anunciando que enviará uma missão humanitária à Síria para avaliar a situação no país. O chefe humanitário da organização afirmou que Damasco prometeu que a missão "terá completo acesso aos lugares aonde quer ir".

Além disso, o Reino Unido e França anunciaram que pretendem apresentar um novo projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU que inclua sanções concretas contra a Síria e suas autoridades.

"Chegou o momento de o Conselho de Segurança tomar mais ações para aumentar a pressão sobre os responsáveis da violência contra os civis sírios. Portanto, trabalharemos em uma resolução nos próximos dias", afirmou o embaixador adjunto do Reino Unido na ONU, Philip Parham. A expectativa é de que o Brasil se oponha à resolução.

Com AP, AFP e BBC

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